CONFIRA OS DESEJOS DO CONSUMIDOR

Escrito por Rogério Nottoli
Durante décadas, vender um automóvel no Brasil era sinônimo de atrair o consumidor até o showroom da concessionária. Hoje, essa lógica virou do avesso — e quem enxerga crise está perdendo a verdadeira revolução. Segundo estudo da Decoupling BR, empresa de consultoria em disrupção e inovação digital, nascida no coração da Harvard Business School, a média de visitas físicas a concessionárias caiu de 10 em 2017 para 1,3 em 2024.
Parece preocupante? Mas pode ser uma oportunidade. Porque se o cliente vem menos, ele vem mais decidido. E se ele pisa na loja, quer viver algo que a internet ainda não consegue entregar: sentir, ouvir, dirigir, confiar. Em outras palavras: “A visita virou ouro”.
A pesquisa – com base em 11.788 avaliações de clientes entre junho e outubro de 2024 – aponta com clareza: o test drive é o momento mais valorizado da jornada de compra, com nota média de 8,03 em uma escala de 0 a 10. É ali que o cliente deixa de ser espectador de um vídeo e vira protagonista da escolha.
A percepção é global. Uma pesquisa da McKinsey indica que 87% dos consumidores ainda consideram essencial dirigir o carro antes de comprá-lo. Em tempos de conveniência digital, esse número não diminuiu — aumentou em valor simbólico. O test drive virou ritual.
E aqui mora a vantagem competitiva da Rede Chevrolet. Com um dos maiores portfólios do mercado, presença nacional consolidada e um leque de perfis de público (famílias, jovens urbanos, frotistas, aventureiros), as concessionárias estão posicionadas para transformar esse momento em algo muito maior que uma volta no quarteirão. A ideia é transformar o test drive em experiência de marca.
Em vez de uma abordagem genérica — agendar, entrar, dar uma volta e voltar para o showroom — as concessionárias podem criar experiências imersivas e memoráveis. Para se ter ideia, há no exterior lojas que oferecem test drives de alguns dias com modelos elétricos, permitindo que o consumidor teste o carro na sua vida real: no trânsito da manhã, no supermercado, na estrada. O resultado? Aumento expressivo de conversão.
Essa é uma direção clara para a Chevrolet seguir. Imagine o consumidor acessando um site, escolhendo seu modelo, perfil de uso (urbano, estrada, familiar, desempenho), e recebendo não só a rota sugerida como um briefing personalizado, com pontos de atenção durante a experiência — como dirigibilidade, conforto acústico, consumo real. Ao final, um consultor treinado não “vende”, mas escuta: como foi? O que surpreendeu? O que incomodou?
O carro ideal pode vir com uma playlist pré-configurada, QR Codes que mostram diferenciais do modelo durante o trajeto e um vídeo editado pós-test drive como lembrança — um conteúdo digital que reforça a conexão emocional. O test drive também pode se desdobrar em experiências compartilhadas: eventos em locais icônicos da cidade, cafés da manhã temáticos, encontros com influenciadores e criadores de conteúdo automotivo.
Hoje, a grande falha do test drive no Brasil não é o veículo. É o contexto vazio. O cliente entra no carro e dirige como se estivesse testando um produto frio. A missão da Chevrolet deve ser aquecer esse momento com narrativa, propósito e identidade.
Investir em treinamento da equipe, limpeza e ambientação dos veículos, padronização da experiência e integração com os dados digitais do cliente (como simulações feitas no site da marca) cria uma jornada fluida e sem ruídos. E cada test drive se torna mais do que uma tentativa de venda: vira um convite a imaginar o futuro.
A visita à loja diminuiu — mas quando ela acontece, é porque o cliente está pronto para decidir. E o momento onde essa decisão acontece é com as mãos no volante e o coração acelerado. É o ponto em que o consumidor deixa de comparar ficha técnica e passa a imaginar sua vida com aquele carro.
A nova loja é viva, conectada e relevante
Quem entende o novo consumidor sabe que ele não busca apenas um carro — ele quer conexão com um estilo de vida. E aqui está o maior insight da pesquisa da Decoupling: A diminuição da presença física do cliente impõe um novo padrão: cada visita deve entregar uma experiência memorável. Isso abre espaço para ideias antes impensáveis.
As concessionárias podem se destacar ao oferecer ambientes mais atrativos e sensoriais, com o uso de realidade aumentada, trilha sonora ambiente cuidadosamente selecionada e áreas dedicadas ao público infantil. Outra estratégia comercial é a realização de eventos presenciais como lançamentos de novos modelos, cafés tecnológicos com especialistas e oficinas práticas sobre mobilidade e inovação.
Oportunidades reais para quem quer sair na frente
Outra frente promissora é a avaliação transparente de seminovos, com entrega de laudos digitais em tempo real. A clareza nos critérios e a eliminação da subjetividade na precificação elevam a confiança do consumidor e reposicionam a concessionária como referência técnica e profissional.
Programas de relacionamento também ganham espaço como catalisadores de fidelidade. Um exemplo seria o lançamento do “Chevrolet Club”, com benefícios exclusivos para clientes que comparecem presencialmente, como acesso antecipado a lançamentos, condições diferenciadas de financiamento e eventos fechados. A proposta é simples: recompensar quem escolhe viver a marca.
Para integrar os mundos digital e físico de forma fluida, é indispensável investir na integração dos dados do consumidor. Quando o cliente entra na cencessionária, ele já deve ser reconhecido — suas preferências, modelos pesquisados e dúvidas anteriores devem estar à disposição do consultor. Isso transforma de forma inteligente o atendimento em uma continuidade, não em repetição.
Ainda de acordo com o estudo da Decoupling, a reconfiguração do espaço físico também é chave. Concessionárias podem ampliar sua relevância social ao se tornarem hubs de convivência urbana, com espaços de coworking, cafés e exposições culturais. Essa estratégia atrai novos públicos, prolonga o tempo de permanência e multiplica os pontos de contato com a marca, mesmo quando não há uma compra imediata em vista.
A loja que vale a visita é a que vira memória
O consumidor de hoje não quer retornar ao modelo antigo de compra — ele busca uma experiência que surpreenda, envolva e agregue valor real. A função da concessionária evoluiu: de ponto de venda para espaço de revelação. O carro já foi analisado em detalhes, configurado no digital, comparado com precisão. Quando o cliente decide entrar na loja, ele está em busca de confirmação emocional. A visita não é para ver o que já sabe, mas para sentir aquilo que nenhum clique oferece: a confiança.
Para concluir, o digital não acabou com a visita física. Ele aumentou o seu valor. Cada ida à loja é uma chance de encantar.
Principais Pontos da Pesquisa
1 – Avaliação de Seminovos: O Elo Mais Frágil
A etapa de avaliação de veículos usados como parte do pagamento foi identificada como a mais crítica, com uma média de satisfação de 7,02 em uma escala de 0 a 10. Fatores como precificação subjetiva, falta de padronização entre concessionárias e a ligação emocional dos proprietários com seus veículos contribuem para esse desconforto.
2 – Test Drive: O Momento de Maior Satisfação
O test drive se destacou como a etapa mais valorizada pelos consumidores, alcançando uma nota média de 8,03. Essa experiência permite que o cliente vivencie o veículo de forma prática, fortalecendo a confiança e influenciando positivamente a decisão de compra.
3 – Visitas Subsequentes à Concessionária: Queda na Satisfação
Enquanto a primeira visita à concessionária recebeu uma avaliação média de 8,3, as visitas subsequentes apresentaram uma queda significativa na satisfação, com média de 7,12. Esse declínio reflete a necessidade de aprimorar o atendimento e a resolução de pendências nas interações posteriores.
4 – Primeira Manutenção: Um Desafio a Ser Superado
A primeira manutenção do veículo também foi apontada como uma etapa crítica, com nota média de 7,37. A burocracia, os custos envolvidos e a falta de conveniência são fatores que contribuem para o desagrado dos clientes nesse momento.
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