Gravataí chega aos 5 milhões de veículos olhando para o futuro

Escrito por Rogério Nottoli
Cinco milhões de veículos produzidos colocam o complexo da General Motors em Gravataí (RS) entre os casos mais consistentes de evolução industrial da cadeia automotiva brasileira. Desde que entrou em operação, em 2000, a unidade acompanhou as mudanças do setor sem perder competitividade, incorporando novas tecnologias, ampliando a integração da produção e renovando sucessivamente sua capacidade.
Primeira fábrica da montadora instalada fora de São Paulo, Gravataí foi desenvolvida sob um conceito pouco comum à época: reunir fornecedores dentro do próprio complexo fabril. Hoje, 13 empresas e um operador logístico dividem a mesma estrutura, reduzindo etapas de abastecimento e aumentando a eficiência da manufatura. Com capacidade para produzir até 330 mil veículos por ano, a unidade figura entre as operações de melhor desempenho da GM em indicadores globais de qualidade e produtividade.
A linha de montagem acompanhou a própria transformação da Chevrolet. Depois de produzir Celta, Prisma e a família Onix, o complexo entrou em uma nova fase com o investimento de R$ 1,2 bilhão anunciado em 2024, destinado à modernização das instalações, à atualização do portfólio e à preparação da fábrica para o lançamento do Sonic.
A modernização alcançou toda a operação industrial. Robôs, sistemas conectados e aplicações desenvolvidas com inteligência artificial passaram a sustentar processos de manufatura, elevando precisão, flexibilidade e eficiência energética. Segundo a GM, mais de cem soluções criadas pela equipe local utilizam IA para otimizar as operações e reduzir o consumo de energia.
A agenda ambiental evoluiu no mesmo ritmo. Gravataí foi a primeira unidade da companhia a conquistar a certificação Zero Aterro, reciclando integralmente os resíduos industriais. A planta também reúne certificações internacionais nas áreas de qualidade, gestão ambiental e eficiência energética, além de registrar redução superior a 68% das emissões de carbono.
Os cinco milhões de veículos sintetizam uma mudança mais ampla. Em um setor cada vez mais orientado por digitalização, integração logística e automação, vantagem competitiva deixou de depender apenas da capacidade instalada. Ela passa, sobretudo, pela habilidade de adaptar a manufatura às transformações permanentes da indústria.
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