GM JÁ É CANDIDATA A PROTAGONISTA DA F1

Escrito por Rogério Nottoli
Se você parar para pensar, faltam pouquíssimos dias para a GM iniciar sua história na Fórmula 1. Está marcado: a Cadillac Team, resultado da parceria entre a montadora norte-americana e a britânica TWG Motorsports, estreia oficialmente no dia 8 de março de 2026, no GP da Austrália, em Melbourne, com Valtteri Bottas e Sergio Pérez como pilotos titulares. O mundo vai parar para assistir e torcer.
A grande novidade é o vídeo divulgado pela GM, que abre as portas do Centro Técnico em Charlotte, na Carolina do Norte (EUA).
É lá que o brasileiro Pietro Fittipaldi aparece no simulador, reproduzindo, em tempo real, as mesmas condições de pista que a equipe enfrentará na próxima temporada. Ao redor dele, engenheiros de performance e aerodinâmica acompanham cada detalhe – curvas, frenagens, consumo de energia e desgaste de pneus – em telas que parecem um verdadeiro cockpit de dados.
Por trás das imagens, há muito mais. O projeto Cadillac/TWG Motorsports representa uma virada para a GM, que após décadas de afastamento das pistas internacionais volta como protagonista – e não apenas como fornecedora. A empresa já registrou a subsidiária GM Performance Power Units LLC, responsável por desenvolver sua própria unidade de potência, prevista para homologação até o final da década. Até lá, a equipe usará motores Ferrari, enquanto a engenharia de Detroit acelera o cronograma de sua power unit híbrida.
A escuderia opera como uma verdadeira multinacional do automobilismo, com três polos interligados por tecnologia, metodologia e cultura corporativa: Fishers (Indiana), Charlotte (Carolina do Norte) e Silverstone (Reino Unido). Os americanos trazem o investimento e a visão industrial; os britânicos, o know-how competitivo.
A Cadillac F1 Team já foi oficialmente homologada pela FIA como a 11ª equipe do grid. Até a estreia, o cronograma é rigoroso: o chassi está em fase final de integração com a unidade de potência da Ferrari. Russ O’Blenes, diretor da divisão de power units, resume o plano em uma frase: “Entramos para aprender rápido e construir com consistência”.
Mais do que resultados instantâneos, a GM quer legitimidade. A F1 serve como vitrine para o que vem sendo chamado internamente de “laboratório global de propulsão limpa”: híbridos, elétricos, biocombustíveis e sistemas de regeneração de energia que terão reflexo direto nas futuras linhas Cadillac e Chevrolet.
Executivos tratam o projeto como investimento estratégico – esportivo e também industrial.
A escolha da dupla titular confirma a ambição: Bottas e Pérez somam mais de 500 GPs, 20 pódios e uma sólida trajetória em escuderias de ponta. Ambos sabem que 2026 não será uma temporada de glórias imediatas, mas de fundação e desenvolvimento. Bottas é técnico e detalhista, o tipo que passa mais tempo com engenheiros do que com patrocinadores. Pérez é o estrategista nato, especialista em extrair performance em condições adversas.
O time ainda conta com Colton Herta como piloto de testes e Pietro Fittipaldi como piloto de desenvolvimento. Eles têm funções distintas, mas igualmente cruciais: Herta atua como ponte com o mercado americano; Fittipaldi, como elo técnico entre simulação e sensibilidade de pista.
A entrada da GM redefine o mapa político e técnico da F1. Depois de décadas de domínio europeu e asiático, os Estados Unidos passam a ter um circuito e uma fabricante com peso global. É o tipo de movimento que muda bastidores, contratos e acordos comerciais – e que obriga as concorrentes a repensarem seus próprios programas de longo prazo.
Afinal, a Cadillac F1 Team não entra só para participar – entra para marcar época.
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