Mudar para seguir em frente

Escrito por Rogério Nottoli

17 de agosto de 2026

Cliente, tecnologia e concorrência mudam o tempo todo e nem sempre na mesma direção. Para acompanhar esse movimento, a empresa precisa olhar em volta, entender o que está acontecendo e fazer os ajustes necessários.

Nenhuma decisão pode comprometer a continuidade e o crescimento da empresa.

Essa é a ideia que orienta este texto. Uma empresa precisa cuidar do que construiu e, ao mesmo tempo, abrir espaço para o que vem pela frente. Pode rever uma escolha, melhorar um serviço, mudar um processo, preparar melhor as pessoas. Isso faz parte do trabalho. Quem percebe o movimento do mercado consegue participar dele.

Continuidade também não quer dizer ficar no mesmo lugar. É continuar relevante para o cliente, crescer com consistência e ter condições de aproveitar as oportunidades que aparecem. Essa relação com o público muda, porque as pessoas mudam. O que encantava ontem pode ser apenas o básico hoje.

A indústria automotiva já viveu ciclos bem mais previsíveis. Uma tecnologia levava anos para amadurecer. Quem chegava ao mercado precisava construir fábrica, formar rede, ganhar escala e conquistar a confiança do público. Com menos opções para comparar, o cliente costumava permanecer por mais tempo com as marcas que conhecia.

Agora, as coisas acontecem mais depressa.
Uma marca pode chegar ao mercado com vários modelos, preços competitivos, muita tecnologia e uma comunicação que conversa diretamente com o público.

O cliente também chega à concessionária muito mais informado. Já viu vídeos, leu avaliações, comparou versões, consultou preços e conversou com quem tem o carro. Às vezes, sabe exatamente o que procura. Em outras, chega com tantas informações que precisa de ajuda para organizar tudo.

A fidelidade ganhou novos critérios. O Global Automotive Consumer Study 2026, da Deloitte, ouviu mais de 28 mil pessoas em 27 países, mil delas no Brasil. O levantamento mostra que o brasileiro está mais aberto que a média mundial a escolher outra marca na próxima troca. 

Qualidade é importante para 65% dos entrevistados; desempenho, para 56%; preço, para 44%. Mais de 80% aceitariam pagar por serviços como rastreamento antifurto ou assistência emergencial. O consumidor gosta de tecnologia, mas quer saber quanto ela custa e para que serve. Procura novidade, sem abrir mão de segurança. E presta atenção ao que acontece depois da compra.

Por isso, um carro hoje é avaliado por muito mais do que motor, espaço e design. Conectividade, software, assistência à condução, consumo, autonomia, recarga, bateria, revenda e pós-venda entraram na conversa. A lista ficou maior. A venda também passou a exigir mais conhecimento e, sobretudo, mais escuta.

Cada cliente, um caminho

Os veículos eletrificados deixam essa mudança bastante clara. Em julho de 2025, eles representavam 8,3% das vendas de veículos leves no Brasil. Um ano depois, chegaram a 21,1%. Somente em julho de 2026 foram emplacadas 56.074 unidades, quase três vezes o volume do mesmo mês do ano anterior. No acumulado até julho, foram 271.091 veículos, acima de todo o resultado de 2025, segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico.

Mesmo com esse avanço, o mercado nacional continua bastante variado. A pesquisa da Deloitte mostra que 51% dos consumidores ainda pensam em comprar um veículo a combustão. Outros 21% consideram um híbrido. Entre os interessados em elétricos, 37% se preocupam com a infraestrutura de recarga e 67% não têm carregador privado.

Na prática, diferentes tecnologias vão conviver por bastante tempo. Há quem rode pouco na cidade, quem passe o dia na estrada, quem possa recarregar em casa e quem precise do carro como ferramenta de trabalho. Cada rotina aponta para uma solução.

 

 

 

Isso aumenta a importância da concessionária. Quanto mais opções o cliente encontra, mais ele valoriza alguém que faça as perguntas certas e explique as diferenças sem complicar.

As marcas chinesas trouxeram outras referências para essa conversa. Elas chegaram com forte presença de eletrificação, conectividade e equipamentos. Algumas começam a produzir no Brasil, o que deve ampliar a rede, a disponibilidade de peças e a presença dessas marcas no mercado.

Essa movimentação ajuda a indústria inteira a enxergar o que está mudando. Mostra quais equipamentos chamam a atenção, como o consumidor avalia preço e tecnologia e onde existem oportunidades para melhorar. Concorrência também serve para isso: faz todo mundo olhar de novo para o cliente.

A resposta de uma empresa experiente não precisa ser copiar o que os outros fazem. O mais importante é entender por que determinada novidade despertou interesse e como responder a esse interesse usando seus próprios pontos fortes.

 

Uma base pronta para avançar

A Chevrolet tem uma história importante no Brasil. Em 2025, a General Motors completou 100 anos de operação no País. Quase 20 milhões de veículos Chevrolet haviam sido produzidos localmente, e um em cada cinco automóveis registrados carregava a gravata da marca. O Brasil era o terceiro maior mercado da Chevrolet no mundo, com uma rede de cerca de 530 concessionárias. É uma base construída ao longo de muitas gerações. 

Agora, ela ajuda a preparar o próximo passo.

Em 2026, a GM anunciou um investimento adicional de R$ 3,5 bilhões, elevando para R$ 10,5 bilhões o total previsto até 2028. Os recursos serão destinados à renovação do portfólio, a modelos híbridos, novas tecnologias, modernização das fábricas e ampliação da engenharia local.

O investimento mostra que há planos claros para o futuro da Chevrolet no Brasil. Para a Rede, esse movimento traz novos produtos, novas tecnologias e também novas conversas com o cliente.

A fábrica desenvolve o automóvel. A concessionária ajuda a pessoa a entender como aquele automóvel entra em sua vida. É na loja que as dúvidas aparecem de verdade. Quanto custa usar? Onde recarrega? Qual é a autonomia? Como funciona a manutenção? Essa tecnologia combina com a minha rotina?

As respostas mudam de cliente para cliente. É justamente aí que o conhecimento da Rede faz diferença.

A ABRAC reúne concessionárias Chevrolet em 13 regiões administrativas. Essa presença permite acompanhar o mercado brasileiro bem de perto. O cliente de uma capital pode ter necessidades diferentes daquele que vive no interior. Em algumas regiões, a picape tem participação direta no trabalho. Em outras, o preço, o crédito ou a recarga pesam mais na decisão.

Cada conversa no showroom traz uma informação. Cada atendimento no pós-venda mostra um pouco do que o cliente está vivendo. Quando esse conhecimento circula, uma dúvida que apareceu numa loja pode ajudar muitas outras.

A Rede tem, portanto, uma visão do mercado que nasce do contato diário. É uma vantagem concreta, desde que as pessoas conversem, compartilhem o que aprenderam e transformem essa escuta em ação.

O que vale a pena levar adiante

Mudar não significa abandonar tudo o que existe. Algumas coisas continuam valiosas justamente porque atravessaram o tempo: confiança, qualidade, proximidade e responsabilidade. Isso faz parte da relação da Chevrolet com seus clientes.

Outras coisas podem ser revistas. Um processo pode ficar mais simples. Um atendimento pode ganhar clareza. Uma prática que funcionou bem durante anos talvez precise de um ajuste para continuar funcionando. É assim que uma empresa evolui: preserva o que tem valor e melhora o que pode ser melhorado.

Também não é preciso correr atrás de cada novidade. Há diferença entre agir rápido e agir com pressa. Agir rápido é perceber uma mudança, entender o que ela significa e tomar uma decisão no momento certo.

Por isso, nenhuma decisão pode comprometer a continuidade e o crescimento da empresa. O objetivo é cuidar do presente e, ao mesmo tempo, preparar o próximo passo.

Há bastante trabalho pela frente, e isso é uma boa notícia. Novos produtos estão chegando. Tecnologias ganham espaço. As fábricas recebem investimentos. A Rede está perto do cliente e conhece as diferenças de um País enorme.

Há muito que pode ser feito: preparar equipes, melhorar conversas, tornar escolhas mais simples, fortalecer relações e conquistar novos clientes.

O mercado continuará mudando. A Rede Chevrolet também seguirá em movimento. Com experiência para saber o que merece ser preservado e abertura para mudar o que for preciso, as concessionárias podem fazer mais do que acompanhar o futuro. Podem ajudar a construí-lo.

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