HERTZEL VOLTA PARA LIDERAR UM NOVO TEMPO

Escrito por Rogério Nottoli
Hertzel Bennesby volta à presidência da Associação Brasileira das Concessionárias Chevrolet (Abrac) com um repertório raro. Guarda a memória analítica do negócio, conhece as engrenagens da ABRAC, compreende a General Motors e sabe interpretar as diferenças entre os mercados regionais. A criatividade para encontrar soluções, a disposição para ouvir e a firmeza para decidir explicam a confiança da Rede em sua liderança para o novo mandato.
Para Hertzel, repertório tem utilidade concreta: reconhecer padrões, interpretar o presente com precisão e calcular o alcance de cada escolha. Em um setor no qual tecnologia, linguagem e ritmo comercial se transformam juntos, essa visão separa o ruído da mudança estrutural e pode antecipar o que chegará ao caixa e à rotina das concessionárias.
O mercado ganhou novos players, a jornada de compra avançou pelas telas, o consumidor ampliou seus critérios de escolha. Produto, conectividade, preço, atendimento e reputação são avaliados quase ao mesmo tempo. Nas revendas, essas transformações chegam em forma de decisões diárias: onde investir, como vender, quanto custa operar e de que maneira preservar a rentabilidade.
Hertzel reassume a ABRAC diante dessa realidade. Sua proposta parte da proximidade com os associados, da escuta das diferentes regiões e da capacidade de levar demandas à General Motors com objetividade. O presidente pretende ampliar a participação dos conselheiros e dar mais velocidade à circulação de informações entre as concessionárias, a Associação e a montadora.
“Estamos aqui para construir, para pensar juntos”, afirma.
A declaração é curta. A tarefa, extensa. Representar a Rede Chevrolet exige conciliar empresas de portes distintos, mercados com comportamentos próprios e condições comerciais que mudam de uma região para outra. Hertzel conhece esse mapa. Também sabe que ouvir constitui apenas a primeira parte do trabalho. Em seguida vêm a análise, a escolha e a decisão.
A assembembleia de transição
Realizada na sede da ABRAC, em São Paulo, a Reunião de posse reuniu conselheiros, concessionários e executivos da General Motors e da GM Financial. O encontro combinou os protocolos da transição com uma leitura ampla do momento que atravessa o setor.
A GM esteve representada por Kleusner Lopes, Diretor Comercial da GM América do Sul; Paula Saiani, Diretora de Marketing de Produto; Felix Madeis, Diretor de Pós- Vendas da GM América do Sul; Luís Felipe Teixeira, Diretor Comercial de Peças e Acessórios; Hermann Mahnke, Diretor de Serviços Digitais da América do Sul; e Gustavo Aguiar, Diretor de Marketing da GM América do Sul. Pela GM Financial, participaram o presidente Paulo Noman e o Superintendente de Vendas, Guilherme Costa.
As apresentações dos executivos passaram, de forma objetiva, pelos principais pontos do negócio: mercado, produtos, novas tecnologias, experiência digital, pós-venda e crédito. A presença das diferentes áreas mostrou como cada decisão repercute sobre toda a operação. O produto atrai. A comunicação aproxima. A concessionária converte interesse em confiança. O financiamento viabiliza a compra. A oficina prolonga a relação.
A carta que atravessa os mandatos
Um dos momentos centrais foi a leitura da carta preparada pelo Conselho Deliberativo que encerrava sua gestão. Apresentado por Tomás Silveira Guimarães Filho, o documento registrou as principais preocupações dos concessionários e levou à General Motors a posição institucional da Abrac.
A manifestação reconheceu a relação perene construída ao longo de décadas entre a montadora e sua Rede. Uma história feita de investimentos, lançamentos, instalações, equipes, oficinas e presença em centenas de mercados. Em cada cidade, o concessionário representa a Chevrolet diante do cliente e responde pela experiência concreta da marca.
A carta também apontou os temas que deverão ocupar o centro das discussões no novo mandato: competitividade, adequação das operações, evolução dos produtos e sustentabilidade econômica. Ao organizar as prioridades dos associados, o Conselho deixou à nova administração uma agenda clara de trabalho.
Kleusner Lopes recebeu a carta em nome da General Motors e reconheceu a relevância dos pontos apresentados. Sua manifestação reafirmou o diálogo como base da relação entre a companhia e a ABRAC, especialmente nos momentos de maiores desafios.
O voto da Rede Chevrolet
A renovação do Conselho começou em 6 de julho. Titulares das concessionárias Chevrolet foram chamados a escolher, por meio de uma plataforma digital, os representantes de suas regiões comerciais.
O modelo remoto deu agilidade à votação e permitiu a participação de associados distribuídos pelo País. A apuração ocorreu em 8 de julho e definiu os conselheiros titulares e adjuntos do novo período.
A composição preservou a representação das 14 regiões brasileiras, característica essencial para uma entidade de alcance nacional. O desempenho de uma concessionária recebe influência da renda local, do perfil da frota, das distâncias, das atividades econômicas predominantes e das preferências do consumidor. O automóvel pode ser o mesmo; o mercado raramente é.
A presença dessa diversidade no Conselho aproxima as decisões do cotidiano das concessionárias Chevrolet. Cada representante faz a ligação entre sua área de atuação e a Abrac, levando demandas, compartilhando experiências e ajudando a construir posições que expressem os interesses da Rede.
Durante a reunião de posse, os nomes eleitos foram lidos e confirmados. O novo Conselho Deliberativo passou, então, à escolha do presidente da Associação. Tomás abriu a consulta para candidaturas. Hertzel apresentou-se como candidato único e recebeu a aprovação do colegiado. A decisão formalizou seu retorno à presidência e deu início à nova administração.
Hertzel retorna à presidência com o conhecimento acumulado em ciclos anteriores e a disposição para buscar novas respostas aos desafios do presente. Uma de suas prioridades será estreitar a comunicação com os associados. A nova gestão pretende aproximar a presidência dos representantes regionais, ampliar a participação dos conselheiros e incorporar às decisões a experiência do Conselho Consultivo, formado por ex- presidentes da Abrac.
A fórmula combina memória e renovação. Os antigos dirigentes carregam a compreensão dos períodos já atravessados. Os novos integrantes trazem a temperatura das concessionárias. Ao presidente cabe reunir essas duas leituras, identificar o que merece continuidade, abrir espaço para novas ideias e transformar conhecimento em direção.
O legado de Tomás
A eleição de Hertzel encerrou a gestão conduzida por Tomás Silveira Guimarães Filho. Foram três anos marcados por mudanças rápidas no mercado, chegada de novos competidores, evolução tecnológica e alterações no comportamento de compra.
Tomás presidiu a Abrac enquanto as concessionárias precisavam ajustar suas operações a uma indústria mais disputada. O período exigiu capacidade de articulação, atenção às diferenças regionais e diálogo permanente com a General Motors.
Sua atuação preservou o espaço institucional da Associação e manteve os interesses comuns dos associados no centro das discussões. A carta apresentada durante a Reunião de posse sintetizou esse trabalho: expôs preocupações, reconheceu a história compartilhada com a montadora e deixou à nova administração uma base organizada para prosseguir.
Na despedida, Tomás agradeceu ao Conselho, às comissões, aos colaboradores da Abrac e à família. Também ressaltou o caráter coletivo de cada avanço alcançado durante seu mandato. “Servir sempre foi maior do que ocupar um cargo”, declarou.
Na noite anterior à Assembleia, conselheiros, convidados e acompanhantes participaram do jantar de encerramento da gestão. O encontro marcou a conclusão de três anos de trabalho do Conselho Deliberativo em clima de reconhecimento e confraternização.
A transição fecha um período de trabalho intenso e abre outro com energia renovada. Sob a liderança de Hertzel, conhecimento, sensibilidade e capacidade de decisão ganham movimento. A voz de cada concessionária reforçará a voz coletiva da ABRAC, convertendo união em competitividade, rentabilidade e crescimento.
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