GRACIANO 100 ANOS

Escrito por Rogério Nottoli

24 de abril de 2026

Há lugares em que o presente parece excessivamente confortável para ser casual. Em Araraquara, no interior de São Paulo, alguém pode entrar na Graciano Chevrolet, uma concessionária que celebra 100 anos de atuação ininterrupta no mercado de automóveis, e sair com a sensação curiosa de que o tempo ali corre de forma diferente.

Telas, sistemas e processos digitais dividem espaço com uma equipe jovem, habituada a circular entre carros conectados e protocolos contemporâneos como se sempre tivessem feito parte do cenário.


Essa aparência de presente contínuo, no entanto, não se explica apenas pela tecnologia exposta no showroom. Ela é fruto de uma trajetória que atravessou crises econômicas, mudanças industriais, transformações profundas do consumo e sucessivas reinvenções do setor automobilístico — uma travessia longa o suficiente para ensinar que modernidade não é ruptura, mas permanência bem administrada.

Em 1926, o País ainda aprendia a ser industrial. As estradas eram poucas, o carro era distante da maioria dos brasileiros e viver da venda de veículos soava mais como ousadia do que como plano. Foi nesse cenário que foi inaugurada, no interior de São Paulo, a Graciano R. Affonso S/A Veículos, representando uma marca que deixaria de ser apenas estrangeira para se tornar parte da vida nacional: a Chevrolet.

O fundador, Graciano R. Affonso, era, como lembra Marlene Dulcinea Sualdini, “um jovem com vontade de crescer e de vencer”. Atual presidente do Grupo, ela fala do passado sem romantizá-lo. “O início é lindo e maravilhoso”, admite. “Mas o dia a dia é muito desafiador”. O entusiasmo logo cedeu lugar à realidade de um setor instável, condicionado pelas oscilações do Brasil. Ainda assim, há algo que atravessa gerações: a decisão de não recuar. “Nem ele, nem seu sucessor, nem a sucessão atual pensou ou pensa em desistir”.

Para Marlene, história não é ornamento. É responsabilidade cotidiana. “A modernidade é parceira do progresso”, afirma, consciente de que nenhuma empresa atravessa um século presa ao passado. Mas pondera: “Cem anos exigem resiliência, pulso firme e saber dar a volta por cima”. O peso da história, segundo ela, está menos no tempo acumulado e mais na forma como ele é conduzido. “O comportamento de quem comanda define o próximo passo”.

Entre as decisões que não costumam aparecer nos registros oficiais, uma foi definitiva. Em 1978, Jorge Affonso afirmou, em entrevista a uma revista da GM, que o mercado caminhava para a saturação e que as concessionárias só sobreviveriam se investissem em pós-vendas. Para a Graciano, não foi apenas uma opinião. Foi uma inflexão. “A venda deixou de ser o fim da relação”, recorda Marlene. “Passou a ser o começo”.

A partir daí, a empresa se reorganizou internamente e colocou as pessoas no centro do negócio. Transparência e respeito deixaram de ser discurso e passaram a ser regra prática. Um ensinamento atravessou gerações e virou bússola: “Trate o cliente da mesma maneira que gostaria de ser tratado”.

Os carros mudaram radicalmente ao longo de um século. O cliente, talvez ainda mais. Hoje, bem informado, ele chega sabendo o que quer. “Além da qualidade do produto, o consumidor precisa de segurança”, observa Marlene. “O negócio não termina na venda. A sequência é o pós- vendas”. É nessa continuidade, quase invisível para quem olha de fora, que a Graciano construiu relações duradouras.

A sucessão, ponto sensível em empresas familiares, foi tratada com método. Após o fundador, Jorge Affonso conduziu a empresa com visão estratégica e preparo. Com sua ausência, a transição ocorreu sem rupturas. Hoje, na terceira geração, a empresa já olha adiante. “Estamos preparados para as próximas sucessões”, diz Marlene.

Se o passado ensinou a resistir, o futuro exige lucidez. Eletrificação, conectividade e novos modelos de mobilidade redesenham o setor. Para Marlene, isso não intimida. Convoca. “É como voltar ao primeiro ano escolar”, compara. O aprendizado, diz ela, é permanente e depende das pessoas certas na equipe.

Ao completar um século, a Graciano prefere o tom do agradecimento ao da celebração. “A comemoração é com nossos funcionários e colaboradores. Sem eles, nada aconteceria”. O reconhecimento se estende aos clientes. Para Marlene, gratidão não depende de data: “É diária”.

Ao olhar para o próximo século, a Graciano Chevrolet permanece apoiada em valores que atravessaram o tempo. “Em um setor em constante transformação, mantemos o compromisso com as pessoas, com a marca Chevrolet e com a continuidade de um trabalho construído ao longo de 100 anos”, resume Marlene. Num País onde tantas empresas começam e poucas continuam, talvez essa seja a história mais silenciosa, e mais rara, de todas: a de quem aprendeu, ao longo do tempo, que seguir em frente pode ser o gesto mais difícil – e mais humano – de um negócio.

Artigos relacionados

CHEVROLET REVELA GLOBALMENTE O SONIC

lançamento global do novo Chevrolet Sonic, apresentado pela Chevrolet no Brasil, já está no radar da Revista Em Rede. Com proposta inédita no segmento de SUVs compactos e forte aposta em design e posicionamento de...

ler mais

Chevrolet Serviços Financeiros

portfólio de Seguros oferecidos pela Chevrolet Serviços Financeiros tem se consolidado como um importante impulsionador de negócios para a GM Financial no Brasil, ao ampliar a proposta de valor oferecida nas...

ler mais

SEDÃ ABSOLUTO, HERANÇA CULTURAL

Chevrolet Omega CD 1994 Irmscher, restaurado pelo programa Chevrolet Vintage, foi arrematado por R$ 437.500 no leilão beneficente realizado pelo CARDE. O valor foi alcançado após mais de 80 lances, tornando o sedã o...

ler mais