A pergunta que move a GM

Escrito por Rogério Nottoli

8 de setembro de 2026

“Como podemos melhorar a experiência?”

Mary Barra resume nessa frase uma filosofia que ajuda a explicar a General Motors muito antes de inteligência artificial, carros elétricos ou veículos definidos por software entrarem no vocabulário da indústria automotiva.

Chair e CEO da General Motors desde 2014, Barra construiu praticamente toda a carreira dentro da companhia e se tornou a primeira mulher a comandar uma grande montadora global. Engenheira de formação, chegou ao posto máximo depois de passar por áreas como engenharia, manufatura, desenvolvimento de produtos e recursos humanos.

Foi justamente sobre o futuro da indústria que ela conversou recentemente com Condoleezza Rice, ex-secretária de Estado dos EUA e uma das figuras mais conhecidas da política externa norte-americana nas últimas décadas. Rice integrou o governo de George W. Bush, primeiro como conselheira de Segurança Nacional e depois, entre 2005 e 2009, como secretária de Estado. Hoje, está ligada à Universidade Stanford, onde atua no meio acadêmico e em instituições dedicadas a políticas públicas.

O encontro entre elas colocou frente a frente duas experiências bastante diferentes: Barra observa a transformação a partir de uma das maiores fabricantes de automóveis do mundo; Rice, pela perspectiva da política, da economia, da educação e da competitividade dos EUA.

Ao falar sobre inovação, Barra preferiu começar pelo passado.

O exemplo escolhido é poderoso justamente por sua simplicidade.

No início do século passado, ligar um automóvel exigia girar uma manivela. Além do esforço físico, o procedimento poderia provocar acidentes. A solução surgiu quando o problema deixou de ser apenas uma questão mecânica e passou a ser observado também pela experiência de quem dirigia.

Em 1912, a Cadillac, marca da GM, introduziu o sistema elétrico de partida desenvolvido por Charles Kettering. A manivela começava a perder seu lugar na história do automóvel.

Mais de um século depois, Barra encontra naquele episódio uma lógica que continua atual: identificar aquilo que dificulta a vida do cliente e descobrir uma maneira melhor de realizar.

É uma definição de inovação que dispensa futurismo.

Atualmente, a GM trabalha com eletrificação, inteligência artificial, software, conectividade e novos processos industriais que seus pioneiros dificilmente poderiam imaginar. Para Barra, essas ferramentas ganham valor quando conseguem produzir uma experiência melhor para a vida das pessoas.

Essa lógica também ajuda a entender sua visão sobre quem trabalha dentro da companhia. Boas ideias podem surgir em diferentes pontos da GM; de quem projeta um veículo a quem acompanha sua produção e percebe, na fábrica, uma oportunidade de melhorar qualidade, eficiência ou execução.

“São as pessoas que fazem da General Motors a General Motors”, diz Barra.

Inovação exige tecnologia, investimento e engenharia. Exige também gente capaz de identificar um problema e ter liberdade para procurar uma solução melhor.

Foi assim quando uma manivela precisava desaparecer. É assim quando a indústria discute inteligência artificial, eletrificação e o próximo salto tecnológico do automóvel.

As respostas mudaram profundamente em mais de 100 anos.

A pergunta que move a GM continua a mesma: “Como podemos melhorar a experiência?”.

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