Diversão é um bom negócio

Escrito por Rogério Nottoli

20 de setembro de 2026

Avida anda séria demais. A gente acorda e olha o celular. Trabalha olhando para uma tela. Paga conta pelo aplicativo. Responde mensagem no almoço. Entra no carro e o trânsito já está esperando. À noite, escolhe uma série enquanto responde aquela mensagem que deveria ter respondido à tarde.

Isso ajuda a explicar por que tanta gente grande voltou a brincar.

Adultos compram carrinhos, montam blocos, jogam cartas, colecionam personagens, correm de kart, frequentam parques, disputam jogos de tabuleiro e gastam tempo — e dinheiro — com coisas que têm uma finalidade maravilhosa:

Diversão.

No Brasil, para se ter ideia, o mercado de brinquedos faturou R$ 10,39 bilhões em 2025. O consumo adulto ganhou importância nesse crescimento, especialmente em categorias ligadas à convivência e à brincadeira: blocos de construção representam cerca de 17% das vendas; jogos de mesa e cartas, aproximadamente 16%.

A própria indústria aponta o consumidor adulto como parte relevante desse movimento, atraído por nostalgia, convivência e por algumas horas de diversão longe das telas.

Depois de um dia inteiro resolvendo problemas, existe certo luxo em fazer alguma coisa simplesmente porque é gostoso fazer.

As empresas perceberam esse movimento.

Nos Estados Unidos, o McDonald’s criou uma refeição para adultos acompanhada de brinquedos colecionáveis. As vendas totais cresceram cerca de 10% durante a ação e metade dos brinquedos de edição limitada acabou nos primeiros quatro dias.

Em Nova York, o Moxy Hotels levou a brincadeira para dentro da hospedagem, com fliperamas, salas de jogos e outras atrações pensadas para adultos.

O mercado percebeu. Transformou diversão em negócio.

E deu um nome a isso: Joyconomy.

A economia da alegria.

O nome é novo.

E aqui está a melhor maneira de entender o fenômeno: a economia da alegria começa quando se divertir deixa de ser consequência da compra e passa a ser uma razão para comprar.

Gente grande também quer brincar.

E o que isso tem a ver com automóvel?

Mais do que parece.

O brinquedo de adulto já está na concessionária.

E vem com chave.

Você quer olhar ou quer dirigir?

Durante anos, o grande encontro do brasileiro com os lançamentos da indústria tinha endereço: o Salão do Automóvel.

Era um espetáculo.

Grandes pavilhões. Estandes milionários. Luzes. Carros impecáveis. Lançamentos. Multidões andando de uma marca para outra.

O consumidor chegava perto do carro.

Olhava.

Tirava uma fotografia.

E caminhava para o próximo estande.

Então o Salão ficou sete anos sem acontecer.

Nesse intervalo, outro formato cresceu.

O Festival Interlagos.

A diferença entre os dois ajuda a contar nossa história.

O Festival também tem lançamentos, marcas, carros novos e gente querendo saber o que vem por aí.

Só que oferece diversão.

Você pode pilotar

Pode acelerar no circuito mais famoso do Brasil.

Pode entrar numa pista off-road.

Pode assistir a drift, ouvir música, encontrar outros apaixonados por carros e passar o dia dentro daquele universo.

Neste ano, o Festival Interlagos reuniu 485 mil pessoas nas edições de automóveis e motocicletas. Foram 31,5 mil testes de carros e motos.

O Salão apresentava o carro ao consumidor.

O Festival Interlagos coloca os dois para brincar juntos.

Carro já vem com diversão de fábrica

O automóvel tem uma vantagem enorme na Joyconomy: o produto já pode ser divertido antes mesmo de alguém pensar em comprá-lo.

Dirigir numa estrada bonita, colocar uma picape na terra, sentir a aceleração de um elétrico ou simplesmente pegar o carro e viajar são experiências incríveis e podem levar naturalmente ao desejo de compra.

A Chevrolet conhece essa estrada. Música, futebol, automobilismo, festivais, encontros. 

A marca circula por territórios onde as pessoas vão para passar algumas horas fazendo algo de que gostam. Ao participar desses momentos, entra numa experiência que já tem significado; e o carro acaba fazendo parte da boa lembrança.

Nos EUA, a Chevrolet levou a brincadeira mais longe

Quem compra determinados Corvette pode fazer uma coisa bastante incomum. Montar o próprio motor.

Na fábrica de Bowling Green, compradores de versões como Z06, ZR1 e ZR1X podem trabalhar ao lado de um técnico especializado na montagem do motor de seu carro. No final, recebem uma placa personalizada, uma lembrança exclusiva e uma fotografia profissional daquele momento.

História bem divertida.

“Ajudei a montar o motor do meu Corvette.”

A marca também oferece aos proprietários uma escola de pilotagem de alta performance em Nevada.

E existe a possibilidade de receber o Corvette no National Corvette Museum, em Kentucky.

Percebe o que aconteceu?

A compra do automóvel deixou de ser o fim da diversão.

Virou ingresso para outras emoções.

E se a concessionária fosse um lugar para onde as pessoas quisessem ir?

Existe uma pergunta interessante para a Rede Chevrolet: quantos motivos um cliente tem para entrar na concessionária quando não pretende comprar um carro?

Lá fora, algumas experiências dão pistas. Concessionárias Chevrolet recebem encontros de proprietários de Corvette com café, comida e carros ocupando o estacionamento. Clubes ligados ao universo Cadillac promovem passeios em grupo, Cars & Coffee, encontros familiares e dias de pilotagem. 

A própria Cadillac experimenta formatos de test-drive mais longos, nos quais o carro pode permanecer com o interessado por mais tempo. A diversão pode começar  antes do cliente pensar em comprar.

Isso amplia o papel da concessionária. Ela continua sendo o lugar do negócio, mas também pode ser onde a paixão ganha companhia: o começo de um passeio, o encontro de quem compartilha histórias com a Chevrolet, a chance de dirigir uma novidade ou simplesmente estar perto de carros e de gente que gosta de carros.  

A Joyconomy ajuda a enxergar justamente isso. Em vez de perguntar como trazer mais pessoas para comprar, vale perguntar o que faria mais pessoas quererem estar no showroom. Quando alguém aparece porque quer – para dirigir, encontrar gente, descobrir, compartilhar uma paixão ou simplesmente se divertir – a relação com a concessionária começa antes da negociação.

A alegria também entra na conta

Joyconomy pode parecer nome de apresentação de marketing.

Esqueça o nome por um minuto.

Fique com a ideia.

A vida anda séria demais.

As pessoas estão procurando lugares, produtos e marcas que lhes deem permissão para brincar, encontrar gente, rir, descobrir alguma coisa e passar algumas horas fazendo algo simplesmente porque é divertido.

E estão gastando dinheiro com isso.

Essa é a parte econômica da alegria.

Preço continua decidindo venda.

Produto também.

Taxa, prazo, atendimento, confiança, pós-venda, localização, estoque — tudo continua na conta.

A diversão não substitui nada disso.

Ela entra na conta.

Quando a experiência vem antes do discurso, potência, tecnologia e desempenho deixam de ser argumentos e viram sensações. E é justamente aí que a diversão pode começar a trabalhar a favor do desejo de compra.

No fim, o carro começa a ser vendido muito antes da negociação: no instante em que alguém pensa “eu queria viver isso outra vez.

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