A concessionária que virou uma comédia no estilo de “The Office”

Escrito por Rogério Nottoli
Olha que legal essa história! Os funcionários da concessionária norte-americana Mohawk Chevrolet começaram a encontrar patinhos de plástico nas janelas, nos copos de café, no aquário. Ninguém entendia nada. Alguns consultaram as câmeras de segurança. Outros juntaram as miniaturas, imaginando que valessem um prêmio. Grace Kerber, da equipe de marketing, acompanhava a investigação com uma vantagem: tinha ajudado a espalhá-las.
A brincadeira deu à jovem criadora de conteúdo uma ideia brilhante. Aquela revenda de Ballston Spa, no estado de Nova York, tinha personagens para uma comédia no estilo de The Office. Com os colegas, filmou e editou o primeiro episódio de The Dealership em cerca de duas horas.
Grace estava no primeiro emprego depois da faculdade. Seu parceiro, Ben Bushen, tinha experiência em audiovisual e era fã da série que servia de inspiração. Ele cuidava da câmera e da edição, além de atuar. Os demais papéis ficavam com os próprios funcionários da concessionária.
A rotina fornecia os enredos: o almoço coletivo, as brincadeiras entre colegas, a vaidade despertada por uma premiação. Grace interpretava uma versão exagerada de si mesma, sempre mais confiante do que preparada.
Essa característica encontrou seu melhor cenário ao volante de uma Silverado 2500. No quinto episódio, Lemme Drive the Rado, ela sai com Ben para uma gravação. Antes, precisa tirar a picape da vaga. A dificuldade de manobrar era real; outras situações do percurso foram encenadas. O contraste entre a segurança da personagem e suas habilidades ao volante ajudou a fazer daquele capítulo o primeiro grande sucesso da série. Em janeiro de 2025, o episódio ultrapassava 3,2 milhões de visualizações no TikTok.
Antes do quinto episódio ganhar repercussão, a audiência era modesta. Os episódios começaram a ser produzidos em janeiro de 2024, quando algumas dezenas de curtidas já animavam os criadores. Em julho, nove capítulos acumulavam 5,7 milhões de visualizações na plataforma.
A direção dava liberdade para experimentar. Ben sabia como filmar e editar aquele humor, e os colegas aceitavam participar. A combinação permitia à Mohawk mostrar uma personalidade difícil de transmitir em uma sequência de ofertas. Havia pessoas que o público podia reconhecer, acompanhar e querer rever.
Grace sabia o que queria: dar a quem procurava um Chevrolet motivos para escolher a Mohawk. Outras concessionárias ofereciam os mesmos modelos. A série apresentava as pessoas que faziam daquela loja um lugar divertido e especial.
A familiaridade começava, assim, antes da visita. O espectador conhecia os rostos e se divertia com as histórias sem precisar estar procurando um automóvel. A concessionária ganhava espaço no dia a dia de pessoas que ainda não eram clientes.
Entre os espectadores estavam executivos da própria GM.
No episódio 11, Mohawk Goes to Corporate, a equipe levou a comédia às instalações da companhia, em Michigan. Grace apresentou uma proposta para encurtar Silverado para “Rado”. Sua justificativa: a picape valia ouro, portanto podia dispensar a prata — silver, em inglês. Mary Barra, CEO da General Motors, entrou na brincadeira e depois elogiou a colaboração em seu LinkedIn.
A participação da executiva deu à história uma dimensão que os patinhos dificilmente permitiriam prever. Em 2025, Grace e Ben foram escolhidos como embaixadores de redes sociais do NADA Show e reconhecidos no prêmio All-Stars da Automotive News.
No mesmo ano, a GM contratou Grace para sua equipe de redes sociais. A visita à montadora era parte da comédia. Acabou funcionando como entrevista de emprego.
Os patinhos, pelo visto, eram um plano de carreira.
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