ENTREVISTAMOS O NOVO PRESIDENTE DA GM THOMAS OWSIANSKI

Escrito por Rogério Nottoli

15 de maio de 2026

Oconcessionário brasileiro conhece a diferença entre discurso e direção. Em um setor pressionado por novas tecnologias, margens estreitas e mudanças rápidas no consumo, o que realmente importa não é a beleza da promessa, mas a segurança do caminho. Por isso, a estreia de Thomas Owsianski no comando da GM América do Sul merece atenção especial da Rede Chevrolet.

Em sua primeira entrevista à Revista Em Rede, o novo presidente deixa claro que seu mandato não pretende começar pela ruptura, mas pelo fortalecimento da base.

Ao destacar competitividade, disciplina operacional e crescimento sustentável, ele reposiciona a conversa nos termos que mais interessam ao dealer: estabilidade para planejar, rentabilidade para investir e confiança para atravessar a próxima fase da indústria sem perder o chão do negócio.

Revista Em Rede: Thomas, você chega ao comando da GM na América do Sul após a gestão de Santiago Chamorro, uma liderança de peso e de longa duração. Que tipo de desafio a matriz espera que você resolva neste novo ciclo: crescimento, reorganização operacional ou mudança de mentalidade?

Thomas: Assumo esta nova etapa dando continuidade a um trabalho muito consistente realizado pelo Santiago, que liderou a região por muitos anos e contribuiu para fortalecer a base industrial e comercial da GM na América do Sul, uma das regiões mais competitivas e sensíveis da indústria automotiva global. O desafio neste novo ciclo é continuar evoluindo sobre essa base, mantendo disciplina na execução, fortalecendo nossa competitividade industrial e garantindo a sustentabilidade do negócio no longo prazo.

Temos uma estrutura muito sólida na região, construída ao longo de décadas, com presença industrial relevante, capacidade de engenharia e uma das redes de concessionárias mais fortes do mercado. A expectativa é seguir aumentando eficiência, ampliando nossa atuação em segmentos de maior valor e trazendo produtos cada vez mais alinhados às necessidades reais dos clientes.

Vejo este momento como uma evolução natural. O foco é crescimento disciplinado, execução consistente e decisões que reforcem a posição da GM na região no longo prazo.

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Ao longo da sua trajetória, você construiu uma reputação rara: saber combinar disciplina operacional com visão estratégica. Em quais decisões costuma ser mais conservador e em quais costuma ser deliberadamente ousado?

Thomas: Disciplina e ousadia não são opostos. Na indústria automotiva, é preciso ter as duas coisas, mas aplicadas nos momentos certos. Sou bastante disciplinado quando se trata de decisões operacionais, estrutura de custos e eficiência industrial, porque esses são os pilares que sustentam a competitividade ao longo do tempo. Em uma região como a América do Sul, onde o ambiente pode mudar rapidamente, manter essa disciplina é essencial.

Por outro lado, é preciso ser ousado quando falamos de portfólio, tecnologia e posicionamento de marca. Expandir para novos segmentos, introduzir novas soluções de propulsão ou trazer novas marcas exige visão de longo prazo e confiança na estratégia.

O mais importante é que movimentos estratégicos mais ousados estejam sempre apoiados em uma base operacional forte. É isso que permite crescer de forma sustentável.

Na América do Sul, a GM enfrenta ao mesmo tempo três pressões de peso: tornar a eletrificação viável para mais gente, transformar software em negócio e preservar a rentabilidade da Rede Chevrolet. No curto prazo, qual dessas frentes exigirá decisões mais difíceis? Por que?

Thomas: As três frentes são importantes e estão diretamente conectadas. A eletrificação, a conectividade e o software estão transformando a indústria no mundo todo, mas na América do Sul precisamos implementar essas mudanças respeitando a realidade econômica da região. O cliente aqui é muito sensível a preço, então a introdução de novas tecnologias precisa caminhar junto com acessibilidade e competitividade.

Ao mesmo tempo, a força da nossa Rede de Concessionárias continua sendo fundamental. Ela é parte central da nossa relação com o cliente, e garantir sua rentabilidade e previsibilidade é essencial para a saúde do negócio no longo prazo.

As decisões mais difíceis normalmente estão ligadas ao equilíbrio entre velocidade e sustentabilidade: quando avançar com novas tecnologias, como manter competitividade em preço e como assegurar que todo o ecossistema, incluindo concessionários e fornecedores, continue forte.

Nosso compromisso é avançar com inovação, mas sempre com disciplina e visão de longo prazo.

Para a Rede de Concessionárias, rentabilidade, previsibilidade e clareza estratégica são temas centrais. O novo ciclo da GM tende a acelerar transformações ou a organizar a base para um crescimento mais sólido e sustentável?

Thomas: Transformação é necessária, mas precisa acontecer sobre uma base sólida. A Rede Chevrolet é um dos nossos maiores diferenciais na América do Sul, e manter sua rentabilidade e estabilidade é prioridade. Uma Rede forte garante proximidade com o cliente, qualidade de serviço e confiança na marca ao longo de todo o ciclo de vida do veículo.

Ao mesmo tempo, a indústria está mudando, e precisamos evoluir juntos. Novas tecnologias, novos sistemas de propulsão e novos serviços digitais exigem adaptação, tanto da GM quanto da Rede de Concessionárias.

Neste novo ciclo, o foco é organizar a base, reforçar a competitividade e criar as condições para um crescimento sustentável. Quando a fundação é forte, a transformação acontece de forma mais consistente e com menos risco.

Que legado você entende que traz para esta função? E, olhando adiante, que marca pessoal gostaria de deixar na história da GM América do Sul ao fim da sua gestão?

Thomas: Ao longo da minha trajetória tive a oportunidade de trabalhar em diferentes regiões e contextos de mercado, e uma das lições mais importantes é que resultados sustentáveis vêm de consistência, disciplina e foco no cliente.

A experiência que trago é a capacidade de combinar visão global com entendimento local. Cada região tem sua dinâmica, e a América do Sul exige um equilíbrio muito forte entre competitividade de custos, qualidade de produto e confiança na marca.
Se penso no legado que gostaria de deixar, é o de uma operação mais forte, mais competitiva e melhor preparada para o futuro. Uma região que cresce de forma disciplinada, com uma base industrial sólida, marcas valorizadas e uma Rede de Concessionárias que continue confiante na direção que estamos seguindo.

Se conseguirmos isso, teremos construído algo que vai além de um ciclo de gestão e que sustenta o negócio no longo prazo.

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