Matéria especial: Você lembra como era antes da IA?

Escrito por Rogério Nottoli

11 de setembro de 2026

Nem faz tanto tempo assim. Mas a inteligência artificial já se tornou uma espécie de assistente pessoal. Daquelas disponíveis a qualquer hora, que ajudam a escrever um e-mail, organizar uma apresentação, analisar números, pesquisar um assunto ou colocar alguma ordem naquela ideia que ainda estava meio bagunçada na nossa cabeça.

A gente se acostumou rápido.

Rápido a ponto de parecer estranho lembrar como trabalhava antes dela.

Você lembra?

 

Quando aparecia um problema e, por alguns minutos, a única pessoa disponível para resolvê-lo era você.

Você pensava.

Tentava.

Errava.

Perguntava para alguém.

Juntava duas coisas que aparentemente não tinham relação.

E, às vezes, encontrava uma terceira ideia muito melhor.

A IA encurtou brutalmente esse caminho. E isso é ótimo.

Mas talvez estejamos entrando agora na parte mais interessante dessa história: depois de aprender a usar inteligência artificial, precisamos aprender a trabalhar com ela.

Parece a mesma coisa.

Não é.

A máquina tem velocidade. Processa informações, compara alternativas, encontra padrões, organiza dados e produz possibilidades em segundos.

Nós temos outra matéria-prima.

Experiência. Intuição. Curiosidade. Sensibilidade. Repertório. Conhecimento das pessoas.

E criatividade.

É quando essas duas inteligências se encontram que a coisa fica realmente interessante.

Pense numa concessionária Chevrolet.

A IA pode conhecer cada detalhe técnico de um veículo.

O consultor conhece e entende o cliente.

Quando alguém pergunta pelo tamanho do porta-malas, por exemplo, talvez não esteja interessado em litros. Pode estar pensando no carrinho do bebê, no cachorro, nas malas das férias ou na viagem que faz todo fim de semana.

A máquina entrega o dado.

A pessoa entende o significado.

E ambos podem se ajudar.

A concessionária já começou a mudar

Essa transformação já saiu do discurso.

Hoje, o ecossistema Chevrolet permite que o cliente consulte estoques, simule financiamento e avance na compra digitalmente pelo Shop.Click.Drive. Pelo myChevrolet, já é possível acompanhar condições do veículo, receber alertas, fazer diagnósticos e agendar serviços na Rede.

E a IA começa a entrar diretamente nessa jornada. A GM já trabalha com inteligência artificial aplicada à qualificação de leads, encaminhamento de oportunidades, acompanhamento de clientes, recuperação de contatos e melhoria da conversão em vendas e pós-venda.

Agora imagine os próximos passos.

Uma IA capaz de ajudar o vendedor a entender melhor cada oportunidade antes mesmo do primeiro contato.

Identificar quais clientes estão mais próximos de trocar de carro.

Sugerir o momento certo para uma abordagem.

Ajudar a construir uma oferta de acordo com o perfil daquela pessoa.

Perceber oportunidades de pós-venda.

Antecipar necessidades de manutenção.

Cruzar informações que hoje estão espalhadas por diferentes sistemas.

Ou entregar ao gerente, pela manhã, não cinquenta páginas de números, mas cinco coisas que merecem a atenção naquele dia.

Não significa uma concessionária com menos gente.

Pode significar uma concessionária com gente gastando menos tempo procurando informação e mais tempo fazendo aquilo que gente sabe fazer muito bem: entender gente.

E aqui a criatividade ganha importância.

Imagine dois profissionais da Rede Chevrolet diante da mesma IA.

Um pede:

“Crie uma ação para aumentar as vendas.”

O outro conta o que ouviu dos clientes naquela semana, mostra os números da loja, explica uma dificuldade percebida pelos vendedores e pergunta como tudo aquilo poderia ser combinado numa ação diferente.

A ferramenta é a mesma.

O resultado provavelmente não será.

Porque inteligência artificial responde.

Criatividade pergunta.

Por isso, o repertório continua valendo muito.

Observe outras lojas. Converse com clientes. Escute a oficina e o pós-venda. Veja como um hotel recebe seus hóspedes, como um restaurante resolve uma espera, como outra empresa explica um produto complicado.

Depois leve essas referências para a IA.

Pergunte.

Misture.

Teste.

Discorde.

Jogue fora a primeira resposta.

Peça outra.

Talvez uma das competências profissionais mais importantes dos próximos anos seja justamente essa: saber provocar a inteligência artificial.

Uma nova dupla de trabalho

A própria GM já mostrou para onde essa relação pode caminhar. Em 2026, anunciou a chegada do Google Gemini a milhões de veículos nos Estados Unidos e prepara um assistente próprio, alimentado por dados dos veículos, para oferecer uma experiência ainda mais integrada.

O carro está ficando mais inteligente.

A concessionária também.

E nós estamos aprendendo qual será nosso lugar nessa relação.

Talvez o acordo seja mais simples do que parece.

A máquina amplia.

A pessoa direciona.

A máquina acelera.

A pessoa escolhe.

A máquina encontra padrões.

A pessoa percebe exceções.

A máquina oferece possibilidades.

A pessoa dá sentido.

No futuro, ter acesso a uma inteligência artificial extraordinária provavelmente será comum.

A diferença estará na criatividade de quem estiver conversando com ela.

Porque a IA pode ter milhões de respostas.

Ainda precisamos ser bons o bastante para fazer a pergunta que ninguém fez.

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