O poder da vulnerabilidade

Escrito por Rogério Nottoli
Você acha que vulnerabilidade é sinal de fraqueza?
Dizer “eu te amo” primeiro é se tornar vulnerável. Apresentar uma ideia em que você acredita também. Sair da sua zona de conforto. Abrir um negócio, mostrar um trabalho autoral, confiar em alguém: em cada uma dessas escolhas, colocamos algo importante em jogo antes de conhecer o resultado.
É disso que estamos falando. Vulnerabilidade é se expor à incerteza, ao risco e à possibilidade de se frustrar. Muita coisa que desejamos viver exige essa disposição.
A pesquisadora norte-americana Brené Brown, professora da Universidade de Houston, nos EUA, estuda coragem, vergonha, empatia e vulnerabilidade. Sua definição reúne três elementos: incerteza, risco e exposição emocional. E ela afirma: “Vulnerabilidade não é fraqueza”.
Pense numa ideia que você guardou por receio da reação dos outros. Enquanto ela fica com você, está protegida de críticas. Ao apresentá-la, você abre espaço para que alguém goste, discorde, acrescente alguma coisa e ajude a torná-la possível.
Criar tem esse risco. Gostar de alguém também. Liderar uma equipe envolve tomar decisões, ouvir opiniões e assumir compromissos cujos resultados dependem de muita gente.
Brown resume essa relação numa frase: “A vulnerabilidade é o berço do amor, da alegria, da confiança, da intimidade e da coragem.”
No trabalho, ela aparece quando um profissional experiente se permite aprender algo novo. Quando alguém apresenta uma proposta diferente. Quando um gestor reconhece uma dúvida e chama a equipe para pensar junto. Admitir um erro faz parte disso, assim como ter iniciativa e aceitar a exposição que acompanha qualquer tentativa.
Vale olhar para as próprias conquistas por esse ângulo. A conversa que aproximou duas pessoas. A proposta que virou negócio. A oportunidade que você decidiu abraçar mesmo sentindo um frio na barriga.
Antes de cada resultado, houve um momento em que você se colocou em jogo.
A vulnerabilidade já estava ali. E a coragem também.
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