O Gato Felix virou vendedor Chevrolet

Escrito por Rogério Nottoli
Antes de Mickey Mouse conquistar as telas, um gato preto de sorriso contagiante já era estrela do cinema. Em Los Angeles, ele arranjou outra ocupação: ajudar a vender Chevrolet.
O Gato Felix estreou no cinema mudo em 1919 e também chegou aos quadrinhos. Criado pelo animador Otto Messmer no estúdio do produtor Pat Sullivan, conquistou admiradores; e um deles era um concessionário com um nome bastante conveniente para essa história: Winslow Felix.
Ele comandava a Felix Chevrolet e era amigo de Pat Sullivan, o produtor dos desenhos. Na década de 1920, os dois acertaram uma parceria: a concessionária divulgaria o personagem, que emprestaria sua fama à loja. O nome já estava na fachada. Faltava o divertido gato.
A ideia rendeu. O personagem apareceu nos papéis timbrados da empresa, nas capas dos estepes e até como ornamento de capô. Uma estrela de cinema podia acompanhar o comprador na viagem para casa, bem à frente do para-brisa. Era uma associação fácil de guardar: o gato do desenho, a concessionária Chevrolet do Felix.
A famosa maletinha mágica ainda estava longe de entrar em cena. Aquele acessório capaz de assumir diferentes formas foi acrescentado por Joe Oriolo nos anos 1950. Quando começou a carregar suas soluções pela alça, Felix já tinha uma respeitável carreira na publicidade de automóveis.
Foi nessa mesma década que o gato cresceu. Literalmente.
Nickolas Shammas comprou a concessionária Felix em 1955 e a transferiu para a Figueroa Street. No fim da década, ele mandou construir um enorme letreiro de três faces, iluminado por néon, colocando o gato bem no alto da loja. Os olhos grandes e a expressão divertida do Gato Felix podiam ser reconhecidos de longe. O personagem ganhou um novo endereço na paisagem de Los Angeles.
A publicidade acabou fazendo parte do passeio. Ao defender a preservação da concessionária e de seu letreiro, o historiador Jim Childs registrou como as crianças aguardavam o aparecimento do gato durante o trajeto pela via expressa.
Felix conquistava também quem ainda estava longe de comprar um carro. Para os pequenos passageiros que o procuravam pela janela, aquela Chevrolet já era um lugar conhecido. E o primeiro encontro acontecia direto do banco de trás. O sonho era só o começo.
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