“VELOCIDADE NÃO É PRESSA”
Opróximo carro da família já é comparado ao smartphone que está no bolso. A facilidade de um aplicativo, a personalização do streaming e a rapidez dos serviços digitais ajudam a definir o que o consumidor espera encontrar também ao volante. Para a Chevrolet, compreender essas referências abre caminhos para desenvolver produtos, conquistar públicos e renovar a relação com quem chega à concessionária.
Em entrevista exclusiva à Revista Em Rede, Paula Saiani, Diretora de Marketing de Produto da GM América do Sul, explica como essa mudança participa das decisões da companhia. A conversa passa pela competição com novas marcas, pela ampliação do portfólio e pela combinação entre recursos globais e engenharia brasileira que prepara a chegada de diferentes tecnologias ao País.
Para os concessionários, há uma perspectiva especialmente relevante: quanto mais possibilidades de escolha, mais valiosa se torna a orientação de quem conhece o produto e entende a vida do cliente. Paula aborda como transformar o test-drive, as dúvidas no showroom e o relacionamento no pós-venda em conhecimento capaz de aproximar a Chevrolet de seus consumidores e gerar novos negócios para a Rede.
Em Rede: O que mudou na vida do consumidor que está mudando a maneira de pensar os carros da Chevrolet?
Paula Saiani: Ao longo de seus mais de 100 anos de presença no Brasil, a Chevrolet sempre influenciou e acompanhou as transformações do consumidor. O que tem mudado, com mais intensidade, é a velocidade com que elas se renovam. As expectativas sobre o automóvel são cada vez mais formadas por experiências vividas em outras categorias: no smartphone, no streaming, nos serviços digitais e nas redes sociais.
Tudo isso eleva o padrão de personalização, integração, atualização e transparência esperado de qualquer produto.
Entre as tendências de maior impacto estão a conectividade e o software, que tornam o veículo uma plataforma capaz de evoluir ao longo do tempo, e a transferência de autoridade para um ecossistema mais amplo, formado por proprietários, influenciadores, especialistas, fóruns e ferramentas de inteligência artificial. A decisão não é influenciada apenas pelo que a marca comunica, mas também pela experiência que o produto entrega e pela percepção construída ao seu redor.
Também observamos uma pluralidade cada vez maior de expectativas. Há consumidores que priorizam design e desempenho, outros que valorizam eficiência, segurança, conectividade ou sustentabilidade. Essa diversidade, combinada à maior velocidade de mudança, influencia tanto o desenvolvimento de produtos quanto a forma de apresentar novas tecnologias, inclusive as diferentes alternativas de propulsão.
Essa leitura orienta o momento atual da Chevrolet: uma renovação ampla de produtos, um portfólio mais complementar e diferentes tecnologias de propulsão para necessidades distintas. A oportunidade não está em adicionar recursos ou lançar mais rapidamente por si só, mas em interpretar essas mudanças com profundidade e convertê-las em soluções relevantes para o consumidor brasileiro. É assim que a marca consegue crescer, conquistar novos públicos e preservar a confiança construída ao longo de sua história.
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A competição também mudou: novas marcas, novos produtos e ciclos de lançamento cada vez mais rápidos. O que será necessário para a Chevrolet continuar relevante nesse novo mercado?
Paula Saiani: A competição mais intensa exige mais do que velocidade de lançamento. A chamada “China speed” é, na verdade, uma capacidade sistêmica: conectar escala, engenharia, fornecedores, dados e decisão para encurtar a distância entre uma oportunidade e um produto ou serviço relevante.
A velocidade não é pressa; é consequência de um método de trabalho integrado. E os resultados mostram que estamos avançando nessa direção: entre janeiro e agosto, a Chevrolet foi, entre as marcas já estabelecidas, a que mais cresceu no mercado brasileiro, com alta de cerca de 20% e mais de 30 mil unidades adicionais em relação ao mesmo período de 2025.
Esse desempenho não é apenas um resultado comercial; é um sinal de que a combinação entre renovação de portfólio, novas propostas de produto e maior capacidade de execução está encontrando resposta no consumidor. Ao mesmo tempo, ele aumenta nossa responsabilidade: crescer em um mercado mais competitivo exige manter a consistência e continuar a ganhar espaço em cada etapa da experiência.
É essa lógica que orienta a transformação da GM na América do Sul, combinando inovação tecnológica e escala global com engenharia, conhecimento do consumidor, confiança da marca e capacidade de distribuição local, com o objetivo de ampliar nosso repertório para selecionar, adaptar e desenvolver soluções que façam sentido para o nosso mercado.
Essa conexão já se traduz em movimentos concretos: o Captiva PHEV será o primeiro híbrido plug-in da Chevrolet produzido no Brasil, e já anunciamos mais uma oportunidade: um hatch compacto inédito com potencial de ampliar o portfólio elétrico da marca. São iniciativas que mostram como a combinação entre capacidades globais e conhecimento local acelera a chegada de novas tecnologias e de soluções adequadas à região.
Nesse contexto, a relevância vai muito além da velocidade: ela também depende da capacidade de transformar escala e integração em decisões mais precisas: identificar oportunidades, adaptar soluções ao Brasil e entregar produtos com tecnologia aplicável e proposta clara. É essa disciplina que permite à Chevrolet responder à competição com consistência, confiança e continuar a ganhar espaço no mercado.
O portfólio da Chevrolet está se tornando mais amplo, alcançando novos perfis de consumidores, segmentos e tecnologias. Como fazer esses produtos ampliarem o alcance da marca sem fragmentar sua identidade?
Paula Saiani: Ampliar o portfólio não significa simplesmente oferecer mais modelos, mas construir uma arquitetura de produtos com papéis claros. Cada veículo deve responder a uma necessidade, a um estilo de vida ou a uma oportunidade específica, mantendo uma experiência coerente com os valores da Chevrolet. Podemos variar design, porte, posicionamento e tecnologia, inclusive com diferentes soluções de propulsão, sem abrir mão de atributos reconhecidos pelo consumidor, como confiança, segurança, conforto, conectividade e suporte.
Esse processo também tem um diferencial importante: novos produtos podem nascer de uma conexão global, mas não chegam ao Brasil como respostas prontas. A engenharia da GM na região participa ativamente do desenvolvimento de produtos globais, levando conhecimento sobre o consumidor, as condições de uso e as necessidades locais. Essa contribuição se combina ao nosso campo de provas e à capacidade de validar soluções para a realidade brasileira, garantindo que a escala internacional venha acompanhada de adequação técnica e relevância no dia a dia.
É essa combinação que permite à Chevrolet ampliar seu alcance sem diluir sua identidade. Enquanto alguns grupos optam por criar novas marcas para ocupar cada espaço do mercado — o que exige investimentos adicionais em posicionamento, comunicação, pontos de venda, processos e experiência — a Chevrolet pode levar novos produtos e tecnologias a mais consumidores apoiada em uma marca reconhecida, em engenharia local ativa e em uma Rede já estabelecida. Assim, diferentes propostas podem ampliar o portfólio sem fragmentar a experiência nem a confiança construída ao longo do tempo.
Com a decisão de compra cada vez mais influenciada pelo digital, onde está a força da Rede Chevrolet; e como integrá-la à estratégia de Marketing?
Paula Saiani: A jornada de compra começa, sim, no digital, mas não se trata de escolher entre o físico e o digital. As fronteiras estão desaparecendo: conteúdos, transmissões ao vivo, aplicativos e ferramentas de inteligência artificial podem gerar interesse, esclarecer dúvidas e criar oportunidades, enquanto a concessionária segue essencial para a experiência do produto, o test-drive, a negociação, a entrega e o relacionamento ao longo do tempo. O digital não substitui a Rede; ele amplia os pontos de contato e pode levar a Chevrolet até consumidores que ainda não planejavam visitar uma loja.
Isso também transforma o papel do profissional da concessionária. A tecnologia pode apoiar informações básicas e demonstrações, mas o contato humano ganha valor quando ajuda a entender necessidades, comparar alternativas e traduzir novas soluções, especialmente em temas como conectividade, eletrificação e serviços digitais, para a realidade de cada cliente. A Rede deixa de ser apenas um ponto de venda e se torna um espaço de experiência, confiança e orientação.
Para que isso se converta em melhores experiências e mais negócios, marketing e concessionários precisam operar como um sistema de aprendizado contínuo. Os dados da jornada digital, as dúvidas que chegam à loja, os resultados dos test-drives e os aprendizados do pós-venda devem circular nos dois sentidos: marketing oferece conteúdo, ferramentas e oportunidades mais relevantes, enquanto a Rede devolve conhecimento real sobre o consumidor. É essa integração que permite personalizar a abordagem, melhorar a execução e manter a relação com o cliente durante toda a vida do veículo.
Olhando para os próximos anos, onde estarão as maiores oportunidades de crescimento da Chevrolet no Brasil? E o que você diria aos concessionários sobre como se preparar agora para capturar essas oportunidades?
As oportunidades de crescimento estão apoiadas em um ciclo concreto de transformação da GM: a renovação do portfólio, a chegada de novas tecnologias de propulsão, a entrada em segmentos onde hoje não atuamos, o fortalecimento das parcerias globais e o investimento adicional que eleva para R$ 10,5 bilhões os recursos destinados ao País até 2028.
A chegada dos híbridos plug-in, a evolução dos produtos conectados e a maior integração entre as operações ampliam as possibilidades da Chevrolet e mostram que o Brasil não é apenas um mercado para receber novidades, mas também um ambiente relevante para desenvolver, adaptar e validar soluções.
Vivemos um momento que reforça essa capacidade de combinar escala global com conhecimento local. Para a Rede, isso significa uma oportunidade de crescimento em várias dimensões: conquistar novos clientes, apresentar diferentes tecnologias, fortalecer o relacionamento no pós-venda e participar de uma jornada mais longa, que acompanha o consumidor durante toda a vida do veículo.
A preparação começa agora, com conhecimento profundo dos produtos, das tecnologias e dos perfis de cliente, além de uma abordagem cada vez mais consultiva. As novas ferramentas, especialmente a inteligência artificial, também devem ser usadas para otimizar processos, organizar informações, personalizar abordagens e liberar as equipes para se concentrarem no que nenhuma tecnologia substitui: entender o cliente, orientar escolhas e construir confiança. Em um cenário de maior diversidade, quem transformar essa evolução em preparo, demonstração e relacionamento estará mais bem posicionado para capturar as oportunidades.
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