O NOVO MAPA DA CHEVROLET

Escrito por Rogério Nottoli
Liuzhou e Horizonte raramente apareciam na mesma frase. Agora a história mudou!
Aprimeira cidade fica na China e abriga a SGMW, uma das parceiras industriais da General Motors. A segunda fica no Ceará e abriga a planta onde a Chevrolet já produz dois veículos elétricos: o Spark EUV, desde dezembro de 2025, e a Captiva EV, desde junho de 2026. A Captiva PHEV foi anunciada como o terceiro modelo da unidade em menos de um ano.
Entre as duas cidades, ganha forma uma estratégia para ampliar as opções da Chevrolet no Brasil.
A ligação pode ganhar outro capítulo. Em sua agenda na China, Thomas Owsianski, Presidente da GM América do Sul, assinou um protocolo de intenções com a SGMW para avaliar novos produtos.
Entre os projetos está um hatch compacto elétrico da Chevrolet, com possibilidade de produção no Brasil. O modelo é a novidade mencionada publicamente pela GM até aqui – mas o protocolo abre espaço para examinar outras oportunidades.
O interesse da companhia vai além de trazer carros da China. As operações chinesas dão acesso a produtos, tecnologias e velocidade de desenvolvimento. No Brasil, a GM reúne engenharia, produção e uma Rede capaz de apresentar essas novidades em diferentes mercados.
Thomas Owsianski descreveu o desafio como o de transformar recursos globais em soluções relevantes para a América do Sul.
Os números brasileiros mostram por que a oferta precisa contemplar tecnologias diferentes.
Em agosto, foram emplacados 57.386 veículos leves eletrificados, cerca de 22% do mercado, segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE). Desse total, 27.166 eram elétricos puros e 20.535, híbridos plug-in; havia também híbridos convencionais. A entidade não inclui micro-híbridos nessa conta.
A Chevrolet já oferece três modelos totalmente elétricos no País: Spark EUV, Captiva EV e Blazer EV. A Captiva PHEV acrescentará o híbrido plug-in ao portfólio ainda este ano. Para a Rede, cada opção amplia as possibilidades de venda e o conhecimento necessário para orientar o cliente e atendê-lo depois da entrega.
A presença da China nessa estratégia tem raízes antigas. A SGMW foi criada em 2002 pela GM, pela SAIC Motor e pelo Guangxi Automobile Group. A SGM é outra operação da GM com a SAIC, com estrutura própria. Em 2013, um documento da companhia já citava o Chevrolet Sail e veículos comerciais Wuling ao tratar de produtos das parcerias chinesas destinados a mercados externos.
A eletrificação deu a essa relação uma aplicação relevante para o Brasil: modelos elétricos já são produzidos no Ceará, enquanto outros produtos entram em avaliação; isto é, mais novidades devem pintar por aí.
A escala da SGMW ajuda a explicar o potencial dessa colaboração. A empresa alcançou 30 milhões de veículos produzidos em janeiro de 2025. No ano anterior, vendeu mais de 1,5 milhão de unidades no mundo, mais da metade eletrificadas. Esse volume oferece à GM um repertório de produtos e tecnologias a partir do qual pode examinar novas possibilidades para a Chevrolet na América do Sul.
Horizonte mostra o que acontece quando uma dessas possibilidades avança para a produção. Com a chegada da Captiva EV, a PACE passou a reunir dois Chevrolet elétricos. Na ocasião, a GM informou que o novo modelo elevaria em aproximadamente 50% o quadro de empregados da unidade. A planta, operada pelo grupo Comexport em parceria com a montadora, também receberá a Captiva PHEV, o primeiro híbrido plug-in Chevrolet anunciado para produção no Brasil.
Há perspectivas para além desses três veículos, ainda sem uma relação de novos modelos confirmada pela GM. Certamente existem planos de ampliar a montagem de carros no Ceará. Quanto ao hatch elétrico, o Vice-presidente Fabio Rua já afirmou que a empresa ainda decidirá entre importá-lo e produzi-lo no Brasil.
O trabalho industrial brasileiro também avança em outra frente. A GM elevou seu plano de investimentos no País para R$ 10,5 bilhões até 2028. O aporte adicional de R$ 3,5 bilhões será destinado principalmente às operações em São Paulo e apoiará a renovação do portfólio, novas tecnologias, engenharia e modernização das fábricas.
A companhia combina, assim, o acesso às capacidades de suas parceiras chinesas com investimentos em desenvolvimento e produção no Brasil.
Para a Chevrolet, a ligação com a China amplia as possibilidades de renovar o portfólio. Para o Brasil, ela já se traduz em produção no Ceará, ao lado de novos investimentos em engenharia e indústria.
Para a Rede, abre mais caminhos para atender clientes com necessidades diferentes.
Liuzhou e Horizonte mostram até onde uma ideia pode viajar. Mas a lição desse novo mapa é que o destino de um carro se decide mais perto de casa: na concessionária, quando o cliente conclui que a Rede Chevrolet faz sentido para a sua vida.
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