A brasileira que aprendeu a cuidar de quem faz a GM

Escrito por Rogério Nottoli
Ocaminho até a fábrica de São Caetano do Sul era familiar para Barbara Scabello muito antes de ela vestir um crachá da General Motors.
A unidade fazia parte da paisagem da cidade onde cresceu. Barbara passava por aqueles portões e imaginava o que acontecia atrás deles. Anos depois, a vida levaria aquela menina para dentro da GM.
Primeiro vieram os estudos em engenharia. Depois, os desafios na manufatura, no planejamento estratégico, no desenvolvimento de negócios e, mais tarde, na segurança do trabalho. Hoje, Barbara responde pela segurança das operações de manufatura da GM América do Sul, com impacto direto na rotina de mais de 10 mil colaboradores em Brasil, Argentina, Colômbia e Equador.
Recentemente, sua trajetória ganhou destaque no portal global da General Motors. O reconhecimento projetou internacionalmente a história de uma brasileira formada dentro da operação industrial da companhia.
O cargo exige processos, indicadores e decisões técnicas. Barbara, porém, aprendeu no chão de fábrica que segurança começa pelas pessoas. Está no cuidado com cada atividade, na escuta das equipes e na certeza de que cada colaborador precisa voltar bem para casa ao fim do expediente.
A primeira vez em uma linha de montagem da GM ficou gravada em sua memória. Havia tecnologia, precisão e movimento. Havia, acima de tudo, gente trabalhando de forma coordenada para fazer a indústria acontecer.
Essa percepção guiou sua carreira. Ainda jovem, liderou equipes ligadas à qualidade, produtividade, sustentabilidade e segurança. Com o tempo, consolidou uma convicção simples: regras podem ser escritas, mas confiança precisa ser construída.
A experiência internacional na Alemanha e na Holanda ampliou sua visão sobre liderança, disciplina e gestão industrial. De volta à América do Sul, Barbara também passou a atuar em iniciativas de inclusão. Aprendeu Libras para ampliar o diálogo com colegas surdos e hoje também preside o Grupo de Recursos para Funcionárias da GM América do Sul (GMSAW ERG), iniciativa que promove o desenvolvimento profissional, a representatividade e a troca de experiências entre mulheres da companhia.
Enquanto inteligência artificial, análise preditiva e automação avançam nas fábricas, Barbara acompanha essa transformação com atenção. Sabe que a tecnologia pode antecipar riscos e tornar os ambientes industriais mais seguros. Mas, para ela, o destino de toda inovação continua sendo o mesmo: preservar vidas, proteger trajetórias e permitir que cada colaborador volte para casa em segurança.
É nesse ponto que sua história ganha força. A brasileira que cresceu perto da fábrica de São Caetano hoje tem a missão de cuidar das pessoas que fazem a GM acontecer todos os dias.
Essa é uma história sobre segurança, mas também sobre pertencimento: por trás de cada carro Chevrolet, existe gente cuidando de gente — e talvez seja isso que mantenha uma marca viva por tantas gerações.
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