Como a GM está construindo um ecossistema de energia mais sustentável

Escrito por Rogério Nottoli
Atransição energética da indústria automotiva costuma ser vista pelo ângulo mais visível: o carro elétrico. Mas, para a General Motors, a eletrificação deixou de ser apenas uma corrida por novos modelos. Tornou-se uma estratégia mais ampla, que envolve energia, tecnologia, fornecedores e gestão climática.
Cassandra Garber, Chief Sustainability Officer da GM.
De acordo com texto publicado no site global da General Motors e assinado por Cassandra Garber, Chief Sustainability Officer da companhia, a GM está usando anos de investimento em baterias, softwares e manufatura para construir um ecossistema capaz de conectar veículos, residências, empresas e redes elétricas.
Na prática, isso significa ampliar o papel do automóvel. Com tecnologia de carregamento bidirecional, veículos elétricos podem fornecer energia a residências preparadas durante interrupções localizadas da rede. Segundo a GM, quase um quarto de milhão de veículos vendidos nos Estados Unidos já contam com essa capacidade, que será incorporada aos novos elétricos da marca.
A empresa também apresenta avanços em suas operações. Desde 2018, as emissões de Escopo 1 e 2 caíram 52%, enquanto a receita aumentou 26%. Em 2025, a GM igualou 100% do consumo de eletricidade de suas instalações nos Estados Unidos com energia renovável. Globalmente, chegou a 70%.
O desafio maior está no uso dos veículos. A própria GM reconhece que a redução dessas emissões avança em ritmo mais lento do que o esperado, influenciada por mercado, políticas públicas e comportamento dos consumidores.
Ainda assim, em 2025, a montadora foi a segunda maior vendedora de elétricos nos Estados Unidos, com crescimento
de 48% nas vendas, além de liderar o segmento no Canadá.
No evento GM Empower, realizado junho, a companhia reforçou sua aposta em tecnologia veículo-rede, em colaboração com a Pacific Gas and Electric Company e a DTE Energy. Também lançou o Energy Pass, solução criada para facilitar o início e o pagamento de recargas públicas.
Outro eixo está nas baterias. A GM anunciou parceria com a Peak Energy para desenvolver células de íon-sódio voltadas ao armazenamento estacionário em escala de rede e ampliou sua colaboração com a Redwood Materials para usar baterias de veículos elétricos em segunda vida no armazenamento de energia.
A lógica é clara: a eletrificação precisa ir além do produto. Envolve energia limpa, recarga simples, reaproveitamento de baterias, fornecedores engajados e redes mais resistentes.
O carro elétrico pode ser o símbolo da transição. Mas o que a GM tenta construir é algo maior: um ecossistema capaz de conectar a garagem à rede elétrica. É um avanço importante porque transforma a eletrificação em algo maior do que a troca do motor a combustão pela bateria: ela passa a funcionar como uma nova infraestrutura de energia, capaz de levar mais eficiência, segurança e sustentabilidade para a vida das pessoas.
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