Como os sucessores ensaiam o futuro de uma marca centenária

Escrito por Rogério Nottoli
O2º Encontro de Sucessores da Rede Chevrolet, realizado no dia 11 de setembro na sede da Abrac, em São Paulo, foi um verdadeiro ensaio de comando e continuidade. A marca carrega mais de um século de história, tendo resistido a crises, fusões, recessões e transformações tecnológicas. Agora, o peso e o privilégio dessa trajetória recaem sobre os jovens herdeiros das concessionárias, responsáveis por manter viva uma história que moldou gerações de consumidores.
A sessão mostrou que discutir “como usar IA” ou “como gerar leads” é apenas a superfície; o verdadeiro desafio é garantir a sobrevivência de um modelo de negócios que depende dessa nova geração para permanecer relevante diante da mobilidade elétrica, da pressão digital e das mudanças no consumo.
Logo na abertura, Miriana Davantel Boscardin, diretora da Concessionária Apucarana e coordenadora dos encontros, definiu o espírito do programa: menos teoria, mais prática.
“Quem está na ponta traz a vivência real das concessionárias, e é isso que enriquece nossas conversas”, disse. Ao longo do dia, a troca de insights se confirmou como o maior ativo: sucessores de diferentes regiões compartilharam erros e acertos, encurtando caminhos e transformando experiência em aprendizado coletivo.
Depois, Décio Farah, superintendente da Abrac, apresentou a estrutura da associação e destacou o peso político de um trabalho conjunto em prol da Chevrolet — mensagem que ecoaria em todas as falas do dia.
O primeiro painel mergulhou no pós-vendas, ponto vital para a sobrevivência das concessionárias.
Diego Zaninotto, do Grupo Uvel, enfatizou que “o grande patrimônio que une todas as concessionárias da Rede no Brasil é a marca Chevrolet. Uma rede forte é uma rede unida”.
Mariana Carvalho, da Concorde Veículos, foi além: lembrou que a sucessão familiar exige cuidado redobrado, mas quando bem conduzida garante a continuidade do negócio por gerações.
Na sequência, o olhar se voltou ao marketing digital. Lucas Mioranza, gerente de marketing da Sponchiado, mostrou como células SDR e redes sociais podem encurtar anos de aprendizado. Ao mesmo tempo, reforçou uma mensagem essencial: é a visão estratégica de longo prazo que transforma decisões em ganhos sustentáveis e abre caminhos sólidos para o futuro.
Depois, foi a vez da inteligência artificial (IA). Nadia Bagdanavicius, supervisora de canais digitais da GM, revelou que um piloto do projeto ‘Máquina de Inovação’ já identificou mais de 70 pontos de melhoria em processos, sendo 93% deles comuns a toda a Rede Chevrolet. Rafael Davoli, do Grupo Veibras, trouxe o olhar da operação: mostrou como o Comitê de IA nasce justamente desses diagnósticos e reforçou o objetivo central — vender mais carros, reduzir custos e oferecer atendimento superior ao cliente.
O evento ainda apresentou o Programa de Sucessores 2025, liderado por Tania Maroti, da Universidade Chevrolet, que ocorrerá em novembro e promete mergulhar em vendas, pós-vendas e uso aplicado de IA — incluindo ferramentas como o ChatGPT, por exemplo. Já o Dealer 4.0, apresentado por Joyce Marchesini, coordenadora do programa, mostrou-se uma vitrine de projetos em diferentes fases, com o discurso de transparência e a prática de monitoramento contínuo.
Mais do que conteúdos técnicos, o encontro consolidou-se como um ambiente em que sucessores aprenderam uns com os outros, transformando networking em estratégia e convivência em vantagem competitiva.
Para encerrar, o presidente da WMcCann, Hugo Rodrigues, trouxe a palestra ‘Inovação em Você’, defendendo que a transformação começa nas atitudes individuais. Um encerramento inspirador para um encontro que, sob a superfície de união e modernização, revelou sua verdadeira natureza: um laboratório de confiança e saber, onde se prepara a próxima geração de concessionários para carregar a Chevrolet para além dos próximos cem anos.
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