O que acontece depois que a chave vai para a mão do cliente?

Escrito por Rogério Nottoli

6 de agosto de 2026

Aprimeira virada da chave tira o Chevrolet da concessionária. A segunda coloca tudo o que ele oferece na vida do proprietário.

A entrega técnica na concessionária ganha outra missão: revelar ao cliente o Chevrolet que existe além do volante para transformar conectividade em relacionamento.

Essa segunda partida acontece quando a chave muda de mão, o painel acende e o celular encontra o veículo. Em poucos minutos, proprietário, automóvel e aplicativo passam a formar um sistema. A compra termina no papel. A experiência começa ali.

Parte da experiência com o carro acontece antes de o motor ligar e continua depois que ele é desligado. O celular pode destravar portas, acionar a climatização, localizar o veículo e consultar informações de manutenção. Dentro da cabine, sistemas eletrônicos auxiliam a condução, organizam dados e conectam o motorista a serviços de segurança. A entrega técnica precisa mostrar como esses recursos saem da tela e facilitam o dia a dia do motorista.

A McKinsey & Company, uma das principais consultorias de gestão do mundo e referência em estudos sobre indústria automotiva e mobilidade, criou um modelo para medir a experiência dos veículos conectados. O trabalho reúne três anos de pesquisa, cerca de 3 mil entrevistas com consumidores e mais de cem conversas com executivos de diferentes setores. A conclusão desloca o foco do equipamento para o uso: a conectividade deve ser avaliada pela vivência das pessoas a bordo, em vez de simplesmente contar dispositivos instalados.

A diferença parece sutil. Para a concessionária, muda tudo.

Um recurso esquecido em algum menu tem presença na ficha técnica e pouca participação na vida do cliente. O valor surge quando o proprietário entende a função, experimenta o comando e percebe onde aquela tecnologia cabe em sua rotina. Ligar o motor pelo celular, consultar a pressão dos pneus, localizar o veículo ou agendar um serviço converte engenharia em utilidade.

A própria McKinsey estima que recursos conectados bem estruturados podem alcançar taxas de adesão entre 40% e 60%, com índices ainda maiores entre proprietários de veículos elétricos. A disposição para pagar cresce quando a funcionalidade oferece conveniência, segurança ou economia de tempo. Tecnologia precisa ser percebida antes de ser valorizada.

A dimensão dessa conectividade ganhou números mais recentes em agosto de 2025, último balanço público consolidado divulgado pela Chevrolet. Naquele momento, o OnStar alcançou um milhão de veículos conectados na América do Sul e somou mais de 21 milhões de operações remotas em dez anos. O sistema também registrava índice de recuperação veicular superior a 90% em casos de roubo e participação em atendimentos que ajudam a salvar, em média, ao menos uma vida por dia na região.

Pelo myChevrolet, conforme o modelo, o ano e o plano contratado, o proprietário pode ligar o motor, travar portas, localizar o automóvel, consultar combustível ou carga, acompanhar a pressão dos pneus, verificar a vida útil do óleo, acessar diagnósticos e agendar serviços. A escala alcançada mostra que a conectividade já ocupa um espaço concreto na relação entre a Chevrolet, seus clientes e a Rede.

Para o cliente, esse conjunto amplia as possibilidades de uso. Para a Rede Chevrolet, abre uma avenida de relacionamento que atravessa toda a propriedade do veículo. Mas,o ponto de entrada dessa avenida é a entrega técnica.

Cada proprietário chega com uma rotina. Quem utiliza o carro profissionalmente tende a valorizar navegação, conectividade e monitoramento. Uma família pode dedicar maior atenção à climatização, aos alertas e aos recursos de segurança. Nos modelos elétricos, autonomia, recarga, planejamento de rota e pré-condicionamento da cabine ganham prioridade. O automóvel pode ser igual. A apresentação precisa acompanhar a vida de quem recebe a chave.

 

Em seu estudo global sobre o setor automotivo, publicado em 2026, a Deloitte — uma das maiores organizações de consultoria — ouviu mais de 28.500 consumidores em 27 mercados. Os resultados mostram que segurança e proteção concentram o maior valor percebido entre os recursos conectados. O levantamento também identificou abertura para personalização por inteligência artificial e atualizações remotas capazes de ampliar as funções e a utilidade do veículo ao longo do tempo.

A compra, portanto, passa a inaugurar um ciclo de descobertas. O carro sai da loja com recursos que podem evoluir, receber atualizações e gerar novos pontos de contato com a marca. A concessionária ocupa uma posição privilegiada nessa jornada porque reúne conhecimento do produto, presença local e relação humana.

A qualidade da orientação também interfere na percepção do automóvel. Em um estudo da J.D. Power sobre qualidade inicial, realizado na Malásia, proprietários que receberam explicação abrangente relataram 79 problemas para cada cem veículos. Entre os clientes com orientação parcial ou ausente, o índice chegou a 163.

Há um argumento comercial forte: ensinar o cliente a usar a tecnologia protege o valor da tecnologia. A orientação reduz atrito, previne dúvidas, fortalece a confiança e melhora os primeiros dias de convivência com o carro.

Quantidade de informação, porém, vale menos que precisão. O cliente chega à entrega depois de escolher o modelo, negociar, reunir documentos, organizar o pagamento e esperar pelo automóvel. Uma aula extensa diante do painel pode consumir a energia daquele momento. A boa entrega faz escolhas. Conecta o essencial, demonstra as funções ligadas à rotina, esclarece os limites dos sistemas de assistência e apresenta os canais de apoio.

O restante pode chegar em etapas. Vídeos curtos, tutoriais, mensagens personalizadas e um contato alguns dias depois prolongam a orientação sem sobrecarregar a retirada. Estudos também associam esse acompanhamento posterior a índices maiores de satisfação.

A continuidade aproxima Vendas e Pós-Venda de maneira natural. O aplicativo configurado no showroom poderá apresentar diagnósticos, emitir alertas de manutenção, oferecer acesso ao manual e facilitar o agendamento de serviços. A primeira revisão começa a ser construída enquanto o Chevrolet ainda está dentro da loja.

 

Existe também um ganho estratégico. O vendedor deixa de apresentar apenas equipamentos e passa a ativar benefícios. A concessionária sai da posição de ponto de entrega e assume o papel de guia do ecossistema. O cliente recebe autonomia para explorar o automóvel e um caminho aberto para buscar ajuda.

Os recursos já estão embarcados. O aplicativo já está disponível. O OnStar já conecta mais de um milhão de veículos. A oportunidade está em fazer cada proprietário perceber, configurar e usar esse patrimônio tecnológico.

A chave entrega o Chevrolet. O conhecimento entrega tudo o que veio com ele.

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