CINCO PERGUNTAS SOBRE O FUTURO DA GM
AGeneral Motors abriu um novo ciclo no Brasil. Com R$ 10,5 bilhões em investimentos até 2028, a companhia prepara fábricas, engenharia, produtos e a Rede Chevrolet para uma disputa automotiva mais tecnológica e acirrada. Nesta entrevista exclusiva à Revista Em Rede, Fabio Rua, vice-presidente de Relações Governamentais, Comunicação e ESG da General Motors América do Sul, explica por que o País ganhou espaço nos planos da companhia, aponta o potencial do híbrido flex e revela o que concessionários e consumidores podem esperar dos próximos anos.
Boa leitura!
REVISTA EM REDE: A GM ampliou para R$ 10,5 bilhões seus investimentos no Brasil até 2028 num momento de pressão chinesa, custos elevados e incerteza tecnológica. O que tornou o País suficientemente competitivo para receber novos recursos; e quais obstáculos ainda podem limitar essa aposta?
Fabio Rua: O novo montante de R$ 3,5 bilhões se soma ao plano de R$ 7 bilhões anunciado em 2024 e será destinado principalmente às operações da companhia no Estado de São Paulo. O investimento apoiará a renovação do portfólio da Chevrolet, a incorporação de novas tecnologias aos veículos produzidos e comercializados no Brasil, incluindo modelos híbridos, além da modernização das fábricas e da ampliação das capacidades de engenharia e manufatura. A iniciativa também contribuirá para a geração de empregos qualificados e para o fortalecimento da competitividade da indústria automotiva nacional.
O Brasil continua sendo um mercado estratégico para a General Motors e reúne uma sólida base industrial, capacidade de engenharia, mercado consumidor relevante e profissionais altamente qualificados. Esses fatores, aliados a um ambiente favorável ao investimento, são fundamentais para sustentar o desenvolvimento da indústria automotiva e ampliar o papel do País como polo produtor e exportador da General Motors para a América do Sul.
Ao mesmo tempo, a competição é positiva, desde que ocorra em condições justas. Os principais obstáculos seguem sendo previsibilidade regulatória, tributária e institucional, custo unitário mais alto decorrente da capacidade instalada subutilizada e assimetrias competitivas que enfraquecem os incentivos à produção local, ao investimento e à geração de empregos.
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Grandes investimentos industriais costumam produzir resultados apenas depois de vários anos. Que mudanças concretas esse aporte deverá provocar, ainda neste ciclo, nas fábricas, na engenharia, no portfólio Chevrolet e na capacidade de competir em preço e tecnologia?
Fabio Rua: Neste ciclo, os efeitos já começaram a aparecer de forma concreta. Um exemplo disso é o Chevrolet Sonic, desenvolvido no Brasil para atender não só a demanda interna, mas também os mercados da América do Sul onde a GM atua.
Nas fábricas, os investimentos se refletem na modernização constante com maior digitalização e automação, recursos de Smart Factory e inteligência artificial aplicados ao monitoramento e à otimização dos processos produtivos.
E também já anunciamos o desenvolvimento dos motores híbridos flex, que, em breve, estarão em todas as concessionárias. O consumidor brasileiro pode esperar uma Chevrolet cada vez mais conectada, tecnológica e alinhada à evolução do mercado.
O desempenho do Sonic pode ser atribuído ao produto, ao posicionamento comercial e também à execução da Rede Chevrolet. Qual foi o peso das concessionárias nesse resultado e que aprendizados desse lançamento podem orientar os próximos movimentos da marca?
Fabio Rua: O Brasil foi escolhido para a estreia mundial do Sonic, principal lançamento da Chevrolet na América do Sul em 2026. Foram investidos mais de R$ 1 bilhão na concepção do novo projeto, colocando a Chevrolet em um segmento em que a marca ainda não atuava, a de SUV cupê, e simboliza uma nova etapa da marca na América do Sul.
Para um lançamento tão grandioso, pela primeira vez, foi realizado um evento simultâneo em 600 pontos de vendas em todo o Brasil, reunindo mais de 30.000 participantes entre clientes, jornalistas, influencers e autoridades, para apresentar oficialmente o novo Chevrolet Sonic ao público.
O Sonic Day é a materialização do lançamento, levando o novo SUV cupê para o showroom das concessionárias, transformando a apresentação do produto em experiência ao vivo para o público. Para a ocasião, as concessionárias se prepararam trazendo convidados como chefs de cozinha, músicos e artistas para potencializar e criar ainda mais atrativos para as pessoas.
O Sonic Day nas concessionárias foi o momento em que todas as expectativas em torno do novo produto se transformaram em experiências reais de escala nacional. Ao levar o lançamento para centenas de pontos de venda de forma simultânea, a Chevrolet transformou o showroom em palco de marca, aproximando o público do produto e garantindo que a narrativa construída nos meses anteriores chegasse ao mercado de maneira uniforme, tangível e pronta para conversão.
O Brasil combina etanol, motores flex, híbridos e veículos elétricos, mas a multiplicidade de caminhos também pode dispersar investimentos. Qual tecnologia deverá ter maior escala no mercado brasileiro e onde a GM acredita possuir uma vantagem competitiva real?
Fabio Rua: No Brasil, essa transição já vem se mostrando que não será concentrada em uma única solução. Por isso, o híbrido flex tem forte potencial de escala e combina eletrificação com uma vocação energética que existe há muitos anos no Brasil e que está consolidada entre os consumidores.
A vantagem competitiva real da companhia está justamente em desenvolver essa solução a partir das características locais: o híbrido flex nasce aqui no Brasil, desenvolvido por nós. Mas isso não significa que essa é a solução definitiva. Teremos nos meses todos os tipos de eletrificação presente em nosso portfólio para que o consumidor possa escolher aquela que melhor se encaixa em seu momento de vida atual.
Para as concessionárias, qual será a consequência prática desse novo ciclo? O que a GM espera da Rede em treinamento, infraestrutura, atendimento e pós-venda; e o que os concessionários podem esperar da companhia em produtos, rentabilidade e previsibilidade até 2028?
Fabio Rua: O mercado automotivo vive uma transformação acelerada, impulsionada por novas tecnologias, eletrificação, conectividade e mudanças no comportamento dos consumidores. Nesse cenário, a capacitação contínua tornou-se um fator estratégico para o sucesso da Rede Chevrolet.
Por isso, investimos de forma consistente no desenvolvimento das equipes, na excelência do atendimento ao cliente, na disseminação das melhores práticas operacionais e na preparação da infraestrutura necessária para acompanhar a evolução do portfólio de produtos e serviços da marca.
Nesse contexto, o GM Academy desempenha um papel fundamental ao promover programas de treinamento continuamente atualizados, metodologias inovadoras e soluções de aprendizagem alinhadas à realidade das concessionárias. O objetivo é apoiar a Rede no desenvolvimento de competências, na melhoria da performance e na geração de resultados sustentáveis.
Com equipes cada vez mais preparadas, engajadas e alinhadas às transformações do mercado, a Rede Chevrolet está pronta para oferecer a melhor experiência aos clientes e seguir fortalecendo a competitividade da marca.
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