O carro dos homens da Lua

Escrito por Rogério Nottoli

17 de setembro de 2026

Você tem um dólar? Porque esse era o valor que um astronauta americano podia pagar para dirigir um Chevrolet no período de um ano.

A história é muito boa e parece conversa de showroom de concessionária. E, de certa forma, é.

Voltamos no tempo.

Anos 1960, na Flórida, os Estados Unidos trabalham para chegar à Lua, a NASA transforma astronautas em celebridades e um sujeito chamado Jim Rathmann acompanha tudo de um lugar privilegiado. Rathmann havia vencido as 500 Milhas de Indianápolis em 60 e, depois das pistas, tornou-se concessionário Chevrolet em Melbourne, a poucos quilômetros de Cape Canaveral.

Ele conhecia carros. Conhecia velocidade. E percebeu uma grande oportunidade.

Com apoio da Chevrolet, Rathmann participou de um programa que permitia aos astronautas usar modelos da marca por um valor simbólico: um dólar por ano. Ao fim do período, eles podiam trocar o automóvel e renovar a experiência com um novo automóvel da fabricante.

A escolha poderia ser qualquer Chevrolet.

Só que havia o Corvette.

O astronauta Alan Shepard já amava o esportivo. Gus Grissom também. Gordon Cooper idem. Ao longo dos anos 1960, vários astronautas participaram do programa, e o Corvette acabou se tornando presença frequente entre os homens do programa espacial americano.

A imagem é daquelas que nenhum anúncio conseguiria fabricar: astronautas chegando para trabalhar em seus Corvette enquanto eram preparados para deixar a Terra.

E a história ficaria ainda melhor.

Em 1969, Pete Conrad, Richard Gordon e Alan Bean, tripulantes da Apollo 12, escolheram três Corvette Stingray. Os carros receberam uma combinação visual semelhante, na cor Riverside Gold, um dourado metálico, com grandes áreas gráficas pretas na traseira, chamadas de black wings. Era quase uma pequena esquadrilha sobre quatro rodas.

Meses depois, Conrad e Bean caminhariam sobre a Lua. Gordon permaneceria em órbita no módulo de comando.

Na Terra, os três tinham os Stingray esperando por eles.

Por trás dessa história extraordinária estava um concessionário.

Jim Rathmann poderia ter enxergado apenas três clientes famosos. Enxergou o poder de colocar o carro certo nas mãos das pessoas certas. O Corvette representava desempenho, tecnologia e uma ideia de futuro que combinava perfeitamente com aquela geração de astronautas.

Ninguém precisava dizer que o carro era especial.

Bastava olhar o estacionamento da Nasa.

Décadas depois, a ligação entre Corvette e o programa espacial tornou-se parte da cultura americana. Automóveis pertencentes aos astronautas viraram peças de coleção, aparecem em exposições e ajudam a contar um capítulo curioso da história da Chevrolet.

Tudo porque, em algum momento dos anos 1960, um concessionário, uma fabricante e um grupo de astronautas descobriram que certas histórias começam com muito pouco.

Às vezes, com apenas um dólar.

 

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